sexta-feira, 14 de junho de 2013

42 - Estudo do Livro de Amós - Parte 2



AMÓS 4 → QUANTO MAIS CULTUA A DEUS, MAIS SERÁ REPREENDIDO, RECEBENDO O MAL COMO RECOMPENSA. Afinal...

Vs 1 a 3 →... SAIR DO LUGAR QUE DEUS NOS COLOCOU SÓ PARA NOS VERMOS LIVRES DOS PROBLEMAS, ACABARÁ TRAZENDO SOBRE NÓS, O MAL QUE TEMEMOS
Basã era uma região extremamente fértil. Tanto que, após a derrota de Ogue, rei de Basã, os rubenitas, os gaditas e meia tribo dos manassitas requereram aquela região para si, pois sabiam que era terra excelente para criar gado (daí Dt 32.14; Sl 22.12; Ez 39.18).
Aqui o povão estava sendo comparado às vacas que eram criadas em Basã, mas que estavam no monte de Samaria. Ou seja, trata-se daquelas pessoas que mudam de lugar quando a situação fica difícil, a fim de conseguir melhores condições de vida (como fazem as multinacionais – ver Na 3.16,17) e, com isto, adquirirem mais recursos para explorarem os pobres e necessitados, bem como privilégio diante dos líderes políticos e religiosos a fim de obterem mais vinho.
A menção de vaca ao invés de touro mostra a qualidade de efeminado deles, ou seja, de eles se sujeitarem a homens (ver 1Co 7.23) em troca de prazeres sensuais.


Infelizmente, hoje, são poucos os que ousam terem seus próprios negócios e trabalhar com as próprias mãos (1Ts 4.11,12). Preferem abrir mão do mandamento de Gn 1.28 só para não terem que pensar, nem terem compromisso com qualidade. Muito menos se preocuparem a felicidade daqueles a quem estão a servir.
Vaca também lembra gado, o qual ilustra Deus transformando a Israel corrupta em sacrifício para suprir aves e animais (como em Ez 39.19; Ap 19.17,18).
O método de levar os prisioneiros com anzóis no nariz a fim de que eles não pensassem em escapar era muito comum no Antigo Testamento (ver 2Cr 33.11; Ez 29.4; Jó 41.1,2; Jr 16.16; Hc 1.15). No final, a Assíria também seria levada deste jeito (2Rs 19.28).
Antes disto, porém, a Assíria iria romper os muros de Damasco (agora, sob o poderio de Israel – Am 3.12) e Samaria e iria forçar o povo a sair um atrás do outro, não pelas portas, mas pelo buraco feito no muro pelo inimigo, tal como se faz com o gado. Isto seria a retribuição pelo fato de o povo sair, como gado, após os seus líderes corruptos, na brecha que eles providenciaram atrás de si, a fim de se embebedarem nos seus palácios luxuosos (Am 3.10,15; 4.1).
Hoje, a elite global tenta cercar o povão (a quem eles chamam de gado) de todos os lados (seja pela mídia sensual ou leis absurdas), de modo que este possa, não só concordar, mas desejar ser conduzido ao matadouro, sem sequer perceberem isto.

Ou seja, o povo de Israel deixava a companhia daqueles que foram feitos especialmente para eles a fim de constituírem alianças políticas que lhes permitisse embebedar e explorar os indefesos. Hoje, é comum os pobres trabalharem para os ricos e defenderem seus interesses, esperando, com isto, obterem privilégios e promoções, sem se importarem se o negócio deles é justo, quantas pessoas serão prejudicadas através daquilo que estão a fazer, se, no final, isto será benéfico aos patrões; e tudo com a desculpa que é para sustentar a família.
Deus, contudo, com base na Sua santidade, declara que toda esta maldade, estava para terminar. Eles iriam ser levados cativos um após o outro com ganchos ou anzóis nos narizes, passando pelas brechas existentes entre os muros. Alguns, de certo os mais ricos, poderiam pensar que ficariam de fora. Contudo, mesmo que eles fossem os últimos a saírem da cidade, ainda assim não escapariam, nem eles, nem suas relíquias.
Mas, por que com base na Sua santidade? Como esta nação foi escolhida para “dar uvas boas”, no que ela estava dando uvas bravas (Is 5.1,2), estava envergonhando o nome de Deus. É bom que fique claro que o foco da justiça de Deus não é defender um corrupto do outro, nem mesmo acumular o justo de riqueza e poder neste mundo. Antes, Deus age para defender Seu nome (Is 37.35; 48.9; Ez 20.9,14,22,44; 36.31).
Por isto é que, muitas vezes, não vemos Deus agir hoje. Infelizmente são poucos que estão interessados em Sua verdade, pureza, santidade.
Vs 4 a 5 →... O VERDADEIRO CULTO A DEUS É PRESTADO NO CORAÇÃO, DEIXANDO O ESPÍRITO SANTO MANIFESTAR SUA PALAVRA NA VIDA DE CADA UM COM QUEM ENTRAMOS EM CONTATO. FORMALISMO RELIGIOSO SÓ ATRAI O JUÍZO DE DEUS
Gilgal foi o lugar onde:

*      Josué levantou uma coluna com as 12 pedras que os 12 homens de Israel (um para cada tribo) tiraram do meio do Jordão quando suas águas se empilharam para eles passarem (Js 4.4-8,20);
*      Os filhos de Israel foram circuncidados quando entraram em Canaã, o que serviu como instrumento de Deus para retirar-lhes o opróbrio do Egito (Js 5.7-9);
*      Celebraram a primeira páscoa na terra prometida (Js 5.10);
*      Comeram, pela primeira vez, do fruto da terra (Js 5.11,12);
*      O Criador se manifestou a Josué, prometendo-lhe vitória contra Jericó (Js 5.13; 6.5);
*      O reino de Israel foi renovado e Saul proclamado rei (1Sm 11.14,15);
*      O povo recebeu Davi quando ele voltou a reinar em Jerusalém (2Sm 19.15);
*      Elias estava, quando iniciou sua última jornada rumo ao céu (2Rs 2.1).
*      Foi de Gilgal que Josué partiu ao vencer a guerra contra os reis dos amorreus que se ajuntaram contra Gibeão  e foi para lá que voltaram após derrotarem vários reis (Js 10.7,9);
*      Foi em Gilgal que Calebe recebeu, de Josué, a herança que Deus lhe prometeu por meio de Moisés (Js 14.6).

Infelizmente, foi também em Gilgal que Josué cometeu o erro de fazer aliança com os gibeonitas.
Mas agora, Deus estava dizendo para que não o buscassem em Gilgal (Os 4.15; 5.5). Isto porque toda a malícia de Israel se achava em Gilgal (Os 9.15; 12.11). Além disto, Deus está muito mais interessado em que ouçamos Sua voz e nos disponhamos nas mãos Dele para que Ele cumpra toda Sua Palavra em nós.
Quando a pessoa não tem interesse pelo próprio Deus em pessoa, Ele prefere que a pessoa vá servir aos Seus ídolos, pois assim ela não fica profanando Seu nome com suas dádivas. Mesmo porque, isto é uma forma de eles verem que a idolatria não funciona (Is 47.12; Ez 20.39; Ap 22.11).
Entenda: quando nosso culto a Deus não é resultado daquilo que Deus é para nós, tudo que fazemos acaba sendo uma ofensa, já que estaremos comunicando exatamente o contrário daquilo que Ele quer fazer. O verdadeiro culto jamais deve ser separado da vida cotidiana de cada um, mas visando uma comunidade fraternal onde a prática da justiça possa ser uma realidade. O tabernáculo com seus utensílios e rituais nunca foi um fim em si mesmo. Antes, foi o que Deus fez para que o povo pudesse enxergar o quão inútil é tentar agradá-lo com ídolos no coração ocupando o lugar do Seu Espírito Santo.
Por isto Deus convoca o povo, por meio de Amós, ir até Betel e Gilgal para multiplicar as transgressões:

*      Trazendo, cada manhã, os sacrifícios deles (Nm 28.3,4);
*      Trazendo os dízimos de 3 em 3 dias, ao invés de 3 em 3 anos, como a lei mandava (Dt 14.28; 26.12);
*      Oferecendo sacrifício de louvores do que é levedado (Lv 7.13). Detalhe: os pães levedados não poderiam ser oferecidos em sacrifício, mas tão somente acompanhar os bolos asmos (Lv 7.12,13);
*      Apregoando ofertas voluntárias, e publicando-as (Lv 22.18,21).

Já que era disso que eles gostavam, Deus, para acelerar o juízo sobre eles, dá a palavra de ordem a fim de que eles pudessem, rapidamente, encher as medidas dos pecados deles e, assim, serem julgados mais depressa. Mesmo porque Betel já estava condenado (Am 3.14).
Enfim, rituais e cerimonial religioso externo envergonha o nome de Deus e acelera Seu juízo. Note que eles preservaram algumas ordenanças da lei de Moisés (por exemplo, o sacrifício diário (Nm 28.3,4) e os dízimos (Dt 14.28; 26.12)), a saber, aquelas partes que lhes permitia comer mais e se embebedarem (Am 4.1). Porém, agora que estavam cultuando o deus que inventaram e que podia ser controlado por eles, transformaram o culto num piquenique (o dízimo, que deveria ser comido na própria cidade de 3 em 3 anos, agora era comido de 3 em 3 dias).
Vs 6 a 11 →... QUANDO SE CULTUA O DEUS VERDADEIRO TAL COMO EGITO, SODOMA E GOMORRA CULTUAM SEUS ÍDOLOS, ESTAMOS IGUALANDO DEUS A ELES. DAÍ AS PRAGAS PARA CONSUMIREM ESTE TIPO DE CULTO
Estas coisas já vinham acontecendo em Israel, mas eles não conseguiam enxergar que era Deus quem estava agindo. Veja, por exemplo, a declaração de Judá a Jeremias (Jr 44.18):

*      “Mas desde que cessamos de queimar incenso à rainha dos céus, e de lhe oferecer libações, tivemos falta de tudo, e fomos consumidos pela espada e pela fome”.

Mesmo acontecendo também, entre eles, coisas deste tipo, eles achavam que tudo era normal. Hoje, muitos se conformam em viver infelizes, como se isto fosse normal. Ora, então o que é feito da vida abundante que Jesus prometeu (Jo 10.10)? Mas a verdade é que tais pessoas querem mais desculpas para não se voltarem ao Senhor (veja Is 9.13; Jr 5.3; Os 7.10).
Tribulações, como as citadas abaixo, são sinais da reprovação de Deus:

*      Falta do pão -> “Também vos deixei de dentes limpos em todas as vossas cidades e com falta de pão em todos os vossos lugares; contudo, não vos convertestes a mim, disse o SENHOR” (vs 6). É bem provável que esta fome é aquela anunciada em 2Rs 8.1, tendo sido promovida pelo que está descrito em Am 4.8,9.
No entanto, há algo importante a ser observado: o estábulo fica limpo quando não há bois (Pv 14.4). Como os bois de Samaria haviam se tornado vacas, não estava havendo produtividade de nada bom. A verdade é que, onde há serviço, há também bagunça, lixo. Quem não quer problema, também não quer vitória, nem bênção.
Nem sempre suavidade e pureza é sinal de espiritualidade elevada. Veja o caso da igreja de Éfeso: embora fosse extremamente rígida no cumprimento da lei de Deus, não havia amor entre eles (Ap 2.4). Inclusive, considerando que todo crescimento espiritual gera desconforto, a inexistência de atritos é algo anormal. A real piedade implica em luta e temor. Tranquilidade, moral e bons costumes só têm valor quando é em prol do amor que temos por alguém e que queremos que ele tenha para si;
*      Seca -> “Além disso, retive de vós a chuva, três meses ainda antes da ceifa; e fiz chover sobre uma cidade e sobre a outra, não; um campo teve chuva, mas o outro, que ficou sem chuva, se secou.” (vs 7) (esta seca pode estar se referindo à de 1Rs 17.1 e Jr 14.1-7. Deus prometia dar a chuva temporã e a serôdia quando o povo se convertesse a Ele (Os 6.3; Jl 2.23);
*      Falta de água -> “Andaram duas ou três cidades, indo a outra cidade para beberem água, mas não se saciaram; contudo, não vos convertestes a mim, disse o SENHOR.” (vs 8);
*      Crestamento, ferrugem e gafanhoto (Dt 28.22; Ag 2.17) -> “Feri-vos com o crestamento e a ferrugem; a multidão das vossas hortas, e das vossas vinhas, e das vossas figueiras, e das vossas oliveiras, devorou-a o gafanhoto; contudo, não vos convertestes a mim, disse o SENHOR.” (vs 9). Em alguns casos, o gafanhoto representa o exército que Deus envia para disciplinar o povo. O mesmo vento oriental que traz a queimadura e a ferrugem sobre a plantação (ver Gn 41.6) também traz os gafanhotos (Êx 10.13). O que Deus estava dizendo é que não adiantava eles lutarem para melhorar a produtividade. Se eles não se arrependessem e convertessem, Deus destruiria todo o trabalho das mãos deles;
*      Peste, espada e roubo de animais -> “Enviei a peste contra vós outros à maneira do Egito; os vossos jovens, matei-os à espada, e os vossos cavalos, deixei-os levar presos, e o mau cheiro dos vossos arraiais fiz subir aos vossos narizes; contudo, não vos convertestes a mim, disse o SENHOR.” (vs 10) (ver Êx 9.3,6, 12.29; Dt 28.27,60). Mau cheiro era um sinal da reprovação de Deus (Êx 7.21; 8.14; Is 3.24; 19.6; 34.3; Jl 2.20) em contraste com o cheiro suave requerido nos sacrifícios (Lv 1.9,13,17; 2.2,9,12; 3.16; 4.31; 6.15,21; 8.21,28; 2Co 2.15-17).
Detalhe: observe a mesma expressão “à maneira do Egito” em Is 10.24;
*      Destruição de cidades no fogo -> “Subverti alguns dentre vós, como Deus subverteu a Sodoma e Gomorra, e vós fostes como um tição arrebatado da fogueira; contudo, não vos convertestes a mim, disse o SENHOR.” (vs 11) (ver Gn 19.24-25; Is 13.19; Jr 49.18). Todas as vezes que Deus quer falar de uma destruição terrível, Ele cita Sodoma e Gomorra como exemplo (Dt 29.23; Is 13.19; Jr 49.18; 50.40; 2Pe 2.6; Jd 6). Todos devemos ter compaixão das pessoas, fazendo o necessário para arrebata-las do fogo (Jd 1.23). Josué foi comparado com um tição tirado do fogo (Zc 3.2), como que dizendo: é por um milagre que conseguiu escapar da destruição total;
De igual modo, isto lembra quando, por um milagre, Judá escapou da destruição total empreendida por Rezim e Peca (Is 7.4) que eram dois tições fumegantes. E o mais lamentável é que o rei Acaz achou que foi por causa do rei da Assíria (ver 2Rs 16.9).

A ideia destas pragas era fazer com que eles parassem de fazer, do culto a Deus, um piquenique. A falta de alimento, água, doença, roubo e assassinato é sinal de que não há verdade, nem benignidade, nem conhecimento de Deus. Contudo, não se convertiam a Ele.
Deus priva do bem a fim de que as pessoas não fiquem cultuando Ele de modo luxuoso, e assim, oprimam mais pobres. Este negócio de pedir os recursos dos outros para poder ajudar os necessitados é enganação do diabo:

1º -             Porque ninguém consegue ajudar eficazmente muitas pessoas ao mesmo tempo (ajunte At 4.34,35 com 6.1 e constate isto);
2º -             Porque deixa as pessoas acomodadas na sua vidinha. Se cada uma ouvisse a voz de Deus e se dispusesse a ser usado por Ele, ficaria mais fácil ajudar a pessoa certa e do modo certo. Mesmo porque o Reino de Deus não consiste de uma pessoa fazendo o certo por todos, tampouco em fazendo o mal que cada uma gostaria de fazer, mas que não faz por medo da punição. Antes, implica em cada um tendo compromisso com a verdade.
Vs 12 a 13 →... NÃO É COM A IMAGEM QUE CRIAMOS DE DEUS QUE TEREMOS QUE NOS ENCONTRAR, MAS SIM COM QUEM ELE REALMENTE É
Deus já vinha fazendo tudo o que foi descrito nos vs 6 a 11  e continuaria fazendo. E não adiantava alguém pensar que iria escapar disto, porque não iria. Todos iriam se encontrar com o Criador. Todos compareceremos perante o tribunal de Cristo (Rm 14.10; 2Co 5.10) para prestar contas de cada segundo da nossa vida, que será exibida diante dos anjos e dos que hão de herdar a salvação (ver Ap 20.12,13).
A exortação “prepara-te para te encontrares com o Senhor teu Deus” é vista também em (Am 5.4,6,8,14,15). Deus ordena que todos subissem às brechas para repararem as fendas da casa de Israel (Ez 13.5; 22.30). Em outras palavras, quem deseja estar na presença de Deus, deve estar disposto a ser soldado (Jr 46.14; Lc 14.31,32; 2Tm 2.3,4). Jesus veio para trazer a espada (Mt 10.34) e, se quisermos ter paz com Ele, devemos nos apoderar da força de Deus (Is 27.4,5) e usá-la (Lv 19.17; Jr 48.10; Ez 22.14; Hb 4.12).
Porque o povo de Israel falhou em retornar para Deus, Ele iria cumprir tudo aquilo que Ele disse que faria contra eles. Era inútil achar que, fazendo alguma espécie de penitência, seriam livres do juízo. O que eles tinham que fazer, uma vez que estavam longes de Deus, era julgarem a si mesmos (1Co 11.31). Afinal, quem se afastou de Deus, perdeu a possibilidade de ser convencido (Jo 16.8) e julgado pelo próprio Deus (1Co 4.1), já que seu coração ficou endurecido (At 28.27; Rm 11.7; 2Co 3.14)
É interessante como, por 4 vezes, neste livro, vemos o poder de Deus como criador e mantenedor de toda a natureza (Am 4.13; 5.8,27; 9.6) sendo destacado e atrelado ao Seu nome (Is 47.4; Jr 10.16). Isto, na verdade, é Ele se mostrando presente a fim de revelar Sua identidade e natureza. Isto é para que eles percebessem a diferença entre buscar a Deus e ser religioso. Ou seja,  percebessem que toda a religiosidade descrita em Am 4.4,5; 5.21-24 nada tinha haver com Ele em pessoa.
O detalhe é que no apocalipse, a mensagem de um dos anjos tem haver com isto:

*     “Dizendo com grande voz: Temei a Deus, e dai-lhe glória; porque é vinda a hora do seu juízo. E adorai aquele que fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas.” (Ap 14.7).

Isto não é tudo! Além de formar os montes (algo visível forte e, a princípio, estável) e criar o vento (invisível e transitório, muitas vezes sutil), Ele também (vs 13):

*      Declara ao homem qual é o seu pensamento (Dn 2.28). Ou seja, nem mesmo o homem sabe o que está pensando (Jr 10.23). Daí a Palavra de Deus penetrar até à divisão da alma e do espírito para discernir os pensamentos e intenções do coração (Hb 4.12). Às vezes o homem está pensando algo mau e nem está se dando conta disto. Acha que tudo que está fazendo está correto. Foi assim na época de Malaquias (Ml 1.6; 2.17; 3.13) e assim será no fim dos tempos, onde aqueles não amam a verdade (2Ts 2.10), estarão servindo ao anticristo, mas acreditando piamente que estão servindo a Cristo (Mt 7.21-23; 25.12; Lc 13.23-28) por causa dos sinais e prodígios da mentira (2Ts 2.9) que, aparentemente, estarão confirmando tudo que está sendo pregado;
*      Faz da manhã trevas (Am 5.8; 8.9). Ou seja, todo mau e confusão, antes de tudo, ocorre com a permissão Dele (Is 45.7). Assim, ao invés de temermos o mal com seus problemas, devemos temer aquele que tem poder sobre tudo isto (Lc 12.5; Ap 16.9). Figuradamente, isto significa que Ele torna a prosperidade dos impiedosos em repentina destruição (Sl 73.12,18,19; Jr 13.16; Rm 11.9). Ou seja, ao invés de se preocupar em correr atrás de bênçãos, a pessoa deve buscar maturidade (Gl 4.3) a fim de que a prosperidade que Deus lhe permitir ter, não se transforme em laço, armadilha, tropeço e ruína na sua vida (1Tm 6.9-11).
*      Pisa os altos da terra (Mq 1.3). Como naquela época não havia avião, a probabilidade de alguém atingir o cume de um alto monte era pequena. Durante toda uma vida, a pessoa conseguiria atingir, no máximo 2 ou 3 cumes, e isto uns poucos privilegiados. Contudo, uma vez que nosso Deus pisa os altos da terra, temos condições de obter o que há de melhor em cada um destes montes através do Seu Espírito Santo, bastando para nós confiarmos Nele. Mesmo porque Deus promete nos fazer pisar sobre as alturas da terra (Dt 32.13; 33.29).
Sem contar que Ele nos criou para dominarmos sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre tudo o que se move sobre a terra (Gn 1.28). No entanto, este domínio só está presente na nossa vida quando ouvimos a voz de Deus (como se deu com Pedro – Mt 14.28,29). Quando a pessoa ouve a voz de Deus, ela não está mais sujeita às leis deste mundo. Aliás, o melhor de Deus para nós vai além de tudo que há neste mundo (1Co 2.9).

Além, Deus não é apenas o criador das coisas fortes fisicamente. Lembre-se que Deus se manifestou em um cicio manso e suave (1Rs 19.12) e que escolheu as coisas fracas, loucas, vis, desprezíveis do mundo para operar Suas maravilhas (1Co 1.26-29).

AMÓS 5 → SERÁ REPREENDIDO POR ESTAR BUSCANDO LUGARES, LÍDERES E RITUAIS RELIGIOSOS EM LUGAR DE BUSCAR O CRIADOR E AMAR AO PRÓXIMO. Quem assim faz...

Vs 1 a 3 →... ESTARÁ IMPOSSIBILITADO DE SE LEVANTAR EM VIRTUDE DE NÃO HAVER NINGUÉM INTERESSADO EM LEVANTÁ-LO, JÁ QUE TODOS GOSTARAM DE FICAR CAÍDOS
O pecado não é algo com que podemos nos envolver e sair ilesos. Seu salário sempre resultará em morte (Rm 6.23). Um tom fúnebre há nesta lamentação proferida por Amós (o que lembra também Jr 7.29; Ez 19.1; 27.2): apenas 10% do exército que saísse para lutar seria poupado, não importando o tamanho do grupo que saísse. De 1.000 restaria 100 e, se estes 100 decidissem lutar novamente, sobrariam apenas 10. Ou seja, quanto mais lutassem, maiores seriam as perdas (Dt 28.62).
Até aqueles que vinham lutando para não se prostituíram com outros deuses, finalmente cederam à tentação e nunca mais seriam capazes de se levantar (vs 2):

1º - Por não ter ninguém para levantá-los;
2º - Por não terem, eles mesmos, interesse algum mais em se reerguer espiritualmente.

A virgem filha de Sião (termo usado também em Is 23.12; Jr 18.13; 31.4,21; Lm 2.13) finalmente caiu após a ressurreição de Jesus (compare Ap 12.1 com Ap 12.5,6). Isto porque, até então, Israel se manteve junto, embora tenha ido em cativeiro para a Assíria e Judá, para Babilônia. Contudo, depois eles voltam a ser uma nação por ocasião do decreto de Ciro (Ed 1.1).
Apenas após 70 D.C. é que Israel é finalmente espalhado por todas as nações, vindo a se misturar com os pagãos (embora, pelo poder de Deus, conseguissem manter sua identidade). A partir daí (após ter caído), não mais se levantará (vs 2; Is 24.19,20) até se complete o tempo dos gentios (Ez 30.3; Lc 21.24), depois de “dois dias” (Os 6.1,2).
Até então, Israel será deixado na sua terra à entrega do desejo dos inimigos (compare Ez 29.5; 32.4) e o pior: gostando disto (veja Jr 5.30-31).
Vs 4 a 6 →... ESTÁ SENDO REBELDE, SE CONVERTENDO AO SISTEMA RELIGIOSO AO INVÉS DE BUSCAR O CRIADOR
Betel, Gilgal e Berseba foram lugares onde Deus manifestou algo em favor de Israel. Contudo, com o passar do tempo, se tornou um centro de adoração idólatra.
Betel, por exemplo:

*                 Foi onde Jacó teve a visão da escada cujo topo chegava ao céu (Gn 28.19);
*                 Foi onde Deus se manifestou a Jacó, quando fugia da face de seu irmão (Gn 35.1);
*                 Débora, a ama de Rebeca, e foi sepultada ao pé de Betel (Gn 35.8);

Infelizmente, foi ali que Jeroboão colocou um dos bezerros de ouro, passando a ser a referência de Israel para o culto falso.
Já Berseba, pertencente a Judá (1Rs 19.3):

*      Foi onde Abraão e Abimeleque fizeram aliança (Gn 21.31-33);
*      Foi também onde Isaque e Abimeleque fizeram aliança (Gn 26.33);
*      Era considerado um dos limites de Israel (Jz 20.1; 1Sm 3.20; 2Sm 3.10; 17.11; 24.2,15; 1Rs 4.25).

Agora, todavia, o caminho de Berseba era idolatrado (Am 8.14) e eles iam a Betel para transgredir e a Gilgal para multiplicar as transgressões (Am 4.4), usando o culto a Deus para sugar os pobres (indo contra o que Deus disse em Pv 22.16).
Por tudo isto, Gilgal será levada em cativeiro e Betel, completamente destruído (vs 5). Já Berseba, seu destino nem sequer é mencionado, ficando como que sem destino, à deriva. Não fora determinado que tipo de juízo sofreria, mas também não tinha promessa de Deus, que gera esperança, que é a âncora da alma (Hb 6.18,19). Talvez porque, como Berseba ficava em Judá e o juízo dela não vinha diretamente, nada é dito acerca dela.
Por aqui, vê-se que Judá já estava se corrompendo (Os 4.15) de tanto Israel ir a Berseba. Por isto Deus repreende Israel, ordenando que não espalhasse seu culto imundo e idólatra. Talvez alguns achassem que, estando mais perto do templo de Jerusalém, seriam mais abençoados.
Deus mostra, então, que não era o lugar o problema, mas sim o coração deles que, em vez de estarem buscando o próprio Deus em pessoa, só se ajuntavam para comer e beber (Os 7.13,14).
Enfim, a ordem era (2 Cr 15.2; Jr 29.13; Is 55.3): “Buscai-me e vivei”. Caso eles não fizessem isto, Deus agiria, na vida deles, como fogo (ver Dt 4.24; Is 10.17; 27.4; 33.14; Lm 2.3). Nessa hora, ninguém em Betel conseguiria apagar este fogo com nenhum dos rituais que ali se fizesse (ver Os 4.5). Pelo fato de ter se tornado tão vã (nada), Betel passou a ser chamado de Bete-Áven (Os 4.15; 10.5,8) e seria, agora, desfeito naquilo que se tornou: em “nada”.
Detalhe: o fato de citar a casa de José se dá em virtude da tribo de Efraim, que procedeu de José, ter sido a que mais se destacou (ver Ez 37.16).
Vs 7 a 9 →... ESTÁ BUSCANDO O CRIADOR POR AQUILO QUE QUER QUE ELE FAÇA, E NÃO POR AQUILO QUE ELE É E FAZ,
Como devemos enxergar Jesus?

*      O que faz o Sete-estrelo e o Órion (vs 8; Jó 8.8; 38.31) cria aquilo que ninguém mais é capaz de criar e tem controle sobre tudo e todos;
*      Torna a densa treva em manhã (vs 8; Am 4.13) faz com que, aquilo que parece escuro aos olhos dos outros, seja luz para nós (é claro que, para isto, é preciso ter bons olhos – Mt 6.22,23). A verdadeira oportunidade vem acompanhada de problemas, assim como a bênção, de cobranças (Lc 12.47,48). Quem não gosta de resolver problemas, então também não gosta de oportunidades, muito menos de crescimento ou de relacionamentos verdadeiros e duradouros;
*      Muda o dia em noite (vs 8)  → Transforma a agitação, conflitos e correria do dia a dia em descanso, em motivo de alegria. A maioria gosta de ir para o oásis, mas são poucos o que aceitam Deus usar suas vidas para transformar o deserto em rio (Is 41.18,19; 43.19,20), a escuridão em luz (2Co 4.6).
*      O que chama as águas do mar e as derrama sobre a terra (vs 8; Jó 38.34; Am 9.6) Faz a Água Viva vir de longe, se necessário, para que brote, na nossa vida, a fonte que jorre para a vida eterna (Jo 4.14; 7.37-39), de modo que nossa alma seja como um jardim regado (Is 58.11; Jr 31.12). Também chama a chuva a fim de prover uma inundação para limpar a maldade (Jz 5.5, 20-22);
*      Faz vir súbita destruição sobre o forte e ruína contra a fortaleza (vs 9) Destrói toda força que nos afasta de Deus ou, se preferir, que acaba com toda a força que Ele poderia exercer na nossa vida. Deus destrói o forte, não tanto para aliviar o sofrimento dos justos, mas sim para que eles não se deixem influenciar pela vida daquele, a ponto de mudarem seu caráter e comportamento, seja para obter favores ou por medo.
Em particular, Deus está mostrando para Israel que, embora eles parecessem fortes por causa do sucesso de Jeroboão, Ele poderia fazer com que o mais fraco dos inimigos deles causasse enorme destruição no meio deles (como se vê em 2Cr 24.24).

A forma com a qual percebemos as coisas, afeta nossa maneira de pensar que, por sua vez, nos conduz a sentir de um determinado modo, o que culmina em um dado comportamento. Se passarmos a perceber as coisas de modo espiritual, passaremos a pensar nas coisas do alto (como ordena Cl 3.1,2), a sentir como Jesus sente (ver 1Co 2.16) e a nos comportarmos como filhos de Deus.
Àqueles que transformam a justiça em algo difícil de ser buscado (vs 7; Am 6.12) é ordenado buscar Aquele que tem poder contra a natureza e é capaz de destruir a mais poderosa das fortalezas, mesmo que, aparentemente, pareça que Ele não está fazendo nada (Hb 2.8).
É bem verdade que a maldade tem multiplicado tanto, que muitas vezes dá vontade de “deitar por terra” a justiça de Deus (como em Dn 8.12) e procurar estabelecer nossa própria justiça (Rm 10.3). São 2 os erros que as pessoas cometem:

*      O de se afastar das situações e pessoas constrangedoras. Lembre-se que Davi cresceu indo para cima do gigante (1Sm 17.48) e derrotando-o. Inclusive, note como, mesmo Davi sendo pouco reconhecido pela maioria, sua ousadia em enfrentar o leão e o urso (1Sm 17.34-35) não passaram despercebidas aos olhos de todos (1Sm 16.18);
*      O de querer subjugar situações e pessoas esmagando-as. Isto é como querer transitar rapidamente com um carro por uma estrada esburacada. Mesmo que se consiga chegar ao destino, o carro se perderá. Se realmente a ocasião exige uma rápida viagem a um dado lugar nestas circunstâncias, então tal viagem não é de Deus, já que a vontade Dele é boa, perfeita e agradável (Rm 12.2). Você não pode sacrificar a pessoa, cavalo ou veículo que Deus lhe deu como “companheiro” para facilitar tua jornada, só porque alguém assim quer.
            O correto é: primeiro, verificar se a jornada é de Deus ou não. Caso seja, aprenda a fazer bom uso da bênção que Deus colocou na tua vida, respeite seus limites e vá devagar, se desviando de todos os buracos, até chegar ao destino final. O importante não é a rapidez com que se chega lá, mas sim chegar todos juntos e em perfeito estado de conservação, sem transgredir os princípios da Palavra de Deus.
No mundo, os juízes, para poderem ficar sem fazer nada, convertem o juízo em alosna (vs 7), ou seja, torna difícil alguém obter o que lhe é de direito, só para que desanimem de entrar com processo para defender o que lhe é de direito. É bem verdade que não devemos procurar os poderes deste mundo para obrigarmos os poderosos a fazer, contra a pessoa, o mal que achamos ser ela merecedora (Sl 20.7; Is 30.1-3; 31.1-3). Afinal, não temos direito de julgar ninguém. Quem assim faz, está julgando a lei e, principalmente, quem a fez (Tg 4.11,12). Por pior que seja a autoridade, ela está a nos apontar o caminho que Deus deseja que sigamos (Rm 13.1,2)2.
Por outro lado, a justiça não deveria ser privilégio de poucos; muito menos tombar para o lado de quem lhe favorece.
Vs 10 a 12 →... NÃO AMA O PRÓXIMO, RETÉM MAIS DO QUE É JUSTO E, COM ISTO, ACABA PERDENDO TODO O FRUTO DO SEU TRABALHO (Pv 11.24-26)
A sentença de Deus foi clara: “... não habitareis nas casas de pedras lavradas que tendes edificado; nem bebereis do vinho das vides desejáveis que tendes plantado.” (vs 10; Mq 6.15 – este método de punição era muito usado por Deus (Sf 1.13; Ag 1.6), o qual Deus disse que faria uso dele desde o princípio (Dt 28.30,33,38,39)). Apenas no milênio isto irá mudar (Am 9.14; Is 65.21,22). E tudo por que?

Ø  Aborreciam na porta ao que os repreendia (vs 10), armando-lhes laço (Is 29.21). Ou seja, tentavam destruir as verdadeiras testemunhas e os juízes honestos;
Ø  Abominavam o que fala sinceramente (vs 10), tal como o rei Acabe (1Rs 22.8), tal como aqueles que são néscios (Pv 9.8; 12.1) e maus (Jr 36.23). Hoje, as pessoas não são mais capazes de sofrer e suportar a sã doutrina (2Tm 4.3,4);
Ø  Pisavam o pobre (vs 11; Am 2.6) → passavam por cima das necessidades legítimas deles, não se importando em saber qual o propósito de tal vida;
Ø  Exigiam do pobre um tributo de trigo (vs 11) → exigiam do pobre aquilo que ele não podia dar. Ao invés de tributar as pessoas a fim de promover aquilo que é em prol de todos os membros da sociedade, tributavam os pobres a fim de sustentar a pompa dos ricos. Mas isto é resultado do julgamento de Deus, já que nunca foi ideia de Deus que os tributos fossem destinados a ajudar os pobres (já que isto é algo que cada um deve exercer particularmente – Mt 22.39);
Ø  Afligis o justo (vs 12) → faziam de tudo para desviar o justo daquilo que Deus era na vida deles;
Ø  Tomavam suborno (vs 12) → vendiam a justiça ao que pagasse melhor. Em outras palavras, colocavam seu caráter à venda, o que revela o quanto eles não valorizavam as virtudes que Deus tinha lhes dado. Ou, pensando de outro modo, permitiam que, aqueles que tinham causa injusta, libertassem a si mesmos, tapando os olhos para tudo o que é direito (ver 1Sm 12.3). A verdade é que, quando caímos ou nos colocamos nas mãos de alguém, só tal pessoa pode nos libertar, sendo necessário, para isto, um resgatador (ver Lv 25.26-28) que lhes converta bênção em maldição (como se deu em Dt 23.5). Do contrário, tal perdão será apenas de boca.
Ø  Rejeitavam os necessitados na porta (vs 12) → dificultavam, ao máximo, o acesso dos pobres à justiça (por exemplo, fazendo caro os custos dos processos judiciários).

Como se isto já não fosse pouco, eles não aceitavam repreensão (vs 10). Abominavam qualquer um que dissesse a verdade. Temos que pensar que, se as pessoas estão nos tratando mal é porque elas estão deduzindo algo mau a nosso respeito. Logo:

*      Se isto é verdade, conserte;
*      Se não é, tente contornar a situação mostrando à pessoa a importância dela para você e para Deus, sem jamais esquecer que é Deus quem nos justifica (Sl 37.4,5; Rm 8.33; 1Co 4.3,4).

Ao invés de enxergarem a importância de cada pessoa que Deus colocou em suas vidas e lutarem para caminhar junto com cada uma delas com base em Sua Palavra, acham mais fácil descartar aqueles que se lhes opõem. Contudo, temos que pensar que o objetivo da nossa vida neste mundo não é adquirir recursos. Já reparou que as pessoas que têm riquezas não conseguem usar quase nada delas (Ec 5.11)? Enquanto isto, outros são obrigados a conviverem com pouquíssimo.
Contudo, não somos nós que adquirimos os recursos. Antes, é Deus quem no-lo dá a fim de que possamos construir relacionamentos eternos em Cristo por meio de Sua Palavra.
Os pecados deles, além de muitos, eram graves. Mas, acaso há diferença entre pecado e pecado? Na consequência, sim. Ou seja, pecado grave é aquele que a pessoa faz consciente de que está desagradando a Deus. No esforço de tentarem agradar este mundo corrompido, resultante das modificações que as pessoas fizeram no planeta para tentar fazê-lo próspero sem Deus, são excluídos todos aqueles que não são capazes de prover algo útil para o sistema.
Vs 13 a 15 →... AO INVÉS DE VIVER A PALAVRA DE DEUS EM FAVOR DO QUE DEUS QUER FAZER NA VIDA DE CADA UM (COMO FAZ O PRUDENTE), SE RESTRIGE A SIMPLESMENTE FALAR A PALAVRA DE DEUS
Mesmo fazendo tanta maldade, eles ainda achavam que Deus estava com eles (Mq 3.11). Como eles podiam pensar isto, se o prudente era obrigado a guardar silêncio (vs 13) e o justo era afligido (vs 12)? O tempo era mau (vs 13; e ainda é (Mt 6.34) e, portanto, hora de entender  a vontade do Senhor (Ef 5.16). Os justos não podiam ficar resignados, como se a maldade fosse algo normal.
Mesmo que o mundo não tenha conserto, se ele ainda não foi entregue ao fogo (2Pe 3.10-12) é porque ainda há pessoas para enxergarem a Verdade que se acha oculta em meio a tudo que acontece à nossa volta. Detalhe: é possível achá-la (Mt 10.26; Mc 4.22; Lc 12.2; 1Co 4.5) e ela está bem perto de nós (At 17.27,28; Rm 10.8). É só recebê-la (Jo 1.12).
Mas não é para o prudente guardar silêncio (Am 5.13)? Sim! Não é para querer brigar com o mundo e seus cidadãos. Antes, é para deixarmos Jesus usar Sua boca a fim de chamarmos as ovelhas para fora do aprisco do materialismo e da religião (Jo 10.2-4).
Se eles (vs 14,15) amassem e buscassem o bem e, ao mesmo tempo, aborrecessem o mal, eles viveriam  e poderiam ser contemplados com a compaixão de Deus (vs 15) em favor dos que restassem (Êx 32.30; 2Rs 19.4; 2Cr 30.9). A expressão “resto de José” (vs 15) deve-se ao fato de que tal profecia se deu após ao massacre promovido por Hazael, rei da Síria (2Rs 10.32,33).
A expressão de dúvida “talvez” no vs 15 deve-se ao fato de que é muito difícil ao ser humano se adequar à vontade de Deus e achar lugar de arrependimento no coração (Hb 12.16,17), e não apenas na mente (daí também tais expressões em Gn 16.2; Jl 2.14; At 8.22). Isto também serve para despertar o zelo pela vontade de Deus no coração das pessoas, já que elas poderão perceber que não se pode brincar com Deus (Gl 6.7), pecando e pedindo perdão.
Que fique claro: rejeitar o mal não significa forçar todos a praticarem o bem, mas sim estar disposto a ser usado por Deus para manifestar as riquezas da Sua glória (Rm 9.23), mesmo que seja necessário, por um breve tempo, receber este mal (1Pe 1.6; 2.18-24; 3.8,9; 4.12-19).
Inclusive, o amor sem hipocrisia (Rm 12.9) e a verdadeira compaixão (Rm 12.1) consistem em entregarem o corpo para amarem o bem e rejeitarem o mal (ver Is 1.16,17), sendo este o verdadeiro culto. Inclusive, o verdadeiro significado de Igreja é a tenda do Criador, a qual Ele prometeu a Davi (2Sm 7.13) que enviaria o Messias para edificá-la (Mt 16.18; 1Pe 2.5).
Perceba que não basta amar o bem. O mal precisa ser reprovado, já que Jesus veio para desfazer as obras do diabo (1Jo 3.8). Mas isto, não de modo escandaloso, como, supostamente, faziam os escribas. Antes, individualmente, na vida daqueles que Jesus mostrasse (Mt 18.15-17).
Além disto, considerando que os dias são maus (Ef 5.16), temos que remir o tempo (Cl 4.5). Ao invés de ficarmos agitados com males irremediáveis (1Jo 5.16,17), devemos lutar apenas por aquilo que Deus ordenar. Temos que esperar pacientemente pelo tempo de Deus para dar livramento, permanecendo em submissão silenciosa (Sl 39.8,9) até que o mesmo chegue. Do contrário, poderemos ser dilacerados pelos porcos (Mt 7.6) que não suportam serem repreendidos (Pv 9.8).
Quem tentar buscar em Jesus apenas nas coisas corrompidas do mundo, será usado para promover as misérias deste (1Co 15.19). Buscar o bem significa buscar o que é do alto (como manda Cl 3.1,2; Tg 1.16,17).
Vs 16 a 17 →... NÃO CONSEGUE DISCERNIR O QUE REALMENTE ACONTECE QUANDO O SENHOR VISITA O SEU POVO
Uma vez que era para buscar o bem e não o mal, era necessário arrependimento (2Cr 7.14) e conversão. Para tanto, era necessário cada um sentir a sua miséria, lamentar e chorar por causa dela, converter o riso em pranto e o alegria em tristeza (Tg 4.9).
E como, naquela época, o coração do povo estava muito endurecido, Deus manda contratar as carpideiras, em outras palavras, aqueles que sabiam prantear (Ec 12.5; Jr 9.17) a fim de que o ambiente de luto crescesse em Israel e houvesse, quem sabe, oportunidade para que o povo fosse despertado para uma transformação de caráter.
Contudo, a situação de Israel era tão dramática que, nem mesmo ajuntando todas as carpideiras disponíveis, seria suficiente para produzir tal quebrantamento de espírito. Daí eles chamarem, não apenas os que sabiam, mas também os lavradores que nada entendiam disto (vs 16).
Mas por que tristeza? Porque é com a tristeza de rosto que o coração se faz melhor (Ec 7.3) e a tristeza segundo Deus opera arrependimento para a salvação (2Co 7.9,10) e permite que a vida de Jesus se manifeste na nossa carne mortal (2Co 4.10,11).
Daí a associação da presença de Deus com o pranto em todas as vinhas (vs 16). As vinhas eram lugares de grandes festas, principalmente na época da colheita. Porém, a verdadeira Palavra de Deus corta mais do que qualquer espada de 2 gumes (Hb 4.12) e o amor de Jesus nos constrange (2Co 5.14), de modo que, aquilo que antes era motivo de alegria, passa a ser motivo de vergonha e tristeza (Rm 6.21; ver Tg 4.8,9, onde diz para que nossa alegria seja convertida em tristeza). Aliás, considerando que a Palavra de Deus também é fogo que purifica prata e ouro (mais de 800 graus de temperatura – Ml 3.3) e martelo que esmiúça o coração de pedra para colocar um de carne no lugar (Jr 23.29; Ez 11.19; 36.26).
Enfim, para que Deus pudesse ter compaixão do remanescente de José, era necessário uma mudança de conceitos e valores. Como eles estavam impregnados de tantas obras más, daí a tristeza por toda a parte: praças, ruas, vinhas. Afinal, quando se percebe que tudo que se tem, faz e é está contaminado e corrompido, a única coisa que a se fazer é lamentar a miséria na qual se encontra.
Em outras palavras, se eles quisessem o favor e a presença de Deus, deveriam estar prontos para a correção que só traz alegria depois (Hb 12.11). A presença de Deus é algo maravilhoso quando estamos retos aos olhos Dele (traz livramento – Êx 12.23). Do contrário, traz medo (Gn 28.16,17; Dn 10.7; At 22.9) e dor (Êx 12.12; Na 1.12).
E o pior: a palavra “portanto” no vs 16 nada mais é do que Deus profetizando que Israel não ia atender à exortação dos vs 14 e 15.
A expressão “o SENHOR, Deus dos Exércitos, o Senhor” (vs 16) é um acúmulo de títulos para indicar que Sua soberania sobre todas as coisas é o clímax, ou seja, o motivo principal pelo qual devemos buscar ao Senhor e viver a vida que Ele nos der (e não a que queremos viver). Ou seja, ao invés de buscar fugir ou resolver problemas, bem como obter prazer através dos recursos materiais, a solução para toda a nossa insatisfação e adversidades é a presença Dele nos dando o necessário a fim de que Ele possa fazer em nós (e através de nós) o que é do Seu agrado (lembre-se que a alegria do Senhor é que é a nossa força (Ne 8.10) e beleza (Pv 15.3)).
Vs 18 a 20 →... DESEJA A VINDA DO SENHOR PORQUE SUPÕE QUE SERÁ LIVRE DOS PROBLEMAS (OU, PARA SER MAIS EXATO, DAQUELES QUE CHAMAM DE PROBLEMAS)?
O povo estava tão revoltado com as autoridades e desejando alívio, que desejava ardentemente a vinda do Senhor (vs 18), sem se preocupar com o fato de que a mesma ira significar trevas e morte na vinda de muitos. Israel não conseguia aceitar o que já vinha sendo pregado acerca do dia do Senhor. Eles achavam que o mal iria cair apenas sobre a vida dos outros (Jr 30.7; Jl 2.2; Sf 1.15), ignorando que Deus não faz acepção de pessoas (Dt 10.17; 2Cr 19.7; At 10.34; Rm 2.11; Ef 6.9; Cl 3.25; 1Pe 1.17).
Ora, como um servo de Deus pode ter tanto prazer no mal dos outros, sabendo que Deus não entristece ninguém de bom grado (Mq 7.18) e que Jesus deu Sua vida na cruz justamente para livrar os pecadores do mal a que estavam destinados (Jo 3.16; Rm 4.25)? Logo, ao perguntar: “Para que desejais vós o Dia do SENHOR?”, Deus estava levando-os a pensar na maldição que estava para cair sobre eles. Não conseguiam perceber o valor de uma vida e, obviamente, o prejuízo que é a morte, mesmo de um bandido (note a responsabilidade em cuidar da figueira que pesava sobre aquele que foi contratado para cuidar de uvas num terreno repleto de pés de uva - Lc 13.6-9).
Afinal, a presença de cada um aponta para algo particular que Deus deseja fazer. Querer eliminar uma vida é se rebelar contra o plano de Deus em mostrar as riquezas da Sua glória nos vasos de misericórdia (ver Rm 9.22,23).
Ai daqueles que desejam trevas para os outros (vs 18)! Jamais poderá receber o bem de alguém, já que ninguém pode dar o que não tem (ver Lc 6.45). Como alguém pode nos dar algo bom, se ela só enxerga o mal e se tudo que ela considera como bom é, na verdade algo ruim (Is 5.20)? Como alguém pode desejar um dia que ninguém sabe a finalidade do mesmo, já que são poucos os que sabem a verdade, e cada um fala algo diferente, a fim de iludir e atrair discípulos após si (At 20.30; Gl 4.17; Ef 4.14)? Com isto, aqueles que são sinceros, na maioria das vezes, estão sinceramente enganados (ver Gl 6.3)? Você tenta fugir de uma pessoa má e acaba se deparando com outra ainda pior, correndo o risco de ser envenenado até mesmo em casa (vs 19; veja Jó 20.24; Is 24.18; Jr 48.44).
Que fique claro: não devemos fugir das pessoas, nem nos apoiarmos em ninguém, mas buscar de Deus aquilo que Ele tem para nós através da vida daquela pessoa e o que Ele colocou em nós para ela.
A verdade é que, para quem foge do julgamento de Deus, continua cheio de brechas em sua alma, as quais constituem excelente esconderijo para os parasitas da alma (ver Ap 18.2,3). Se fugirmos de um, outro estará pronto para nos atacar (vs 19).
Não podemos fugir dos males, nem querer acabar com os mesmos. Nem sempre eles têm solução (ver 1Jo 5.16,17). É preciso ouvir a voz de Deus para nos prepararmos para a mudança que Deus quer promover, ou para o que Ele quer de nós quando algo precisar acontecer até que se cumpram as palavras de Deus (Ap 17.17).
Além disto, já pensou no motivo pelo qual Jesus ordena que amemos os inimigos (Mt 5.44)? Porque são eles que nos leva a crescer. A prova de que o ser humano não foi feito para tranquilidade é que Deus fez de nós soldados (2Tm 2.3,4). Nenhuma bênção de Deus é para trazer tranquilidade e conforto. Inclusive, se você receber alguma bênção que não o desafiar a ser uma pessoa melhor, com certeza tal bênção não é de Deus.
No entanto, Israel ficava esperando, ansioso, que Deus se apressasse e acabasse Sua obra, a fim de que eles pudessem vê-la (Is 5.19; como em Jr 17.15). Não pensavam (ou não queriam aceitar) que a bênção, talvez, não fosse para eles, mas sim para seus descendentes (Hb 11.39,40; 1Pe 1.10-12). Daí o mal tomar conta do coração deles, de modo que passassem a dizer que a Palavra que Deus falava, de tão longe que estava o seu cumprimento (como se deu em Ez 12.27), iria acabar no esquecimento (Ez 12.22).
Detalhe: trevas é sinônimo de apostasia. Ou seja, o que caracteriza a proximidade da vinda do Senhor é uma prosperidade egoísta (Lc 17.26-30) e o desvio da fé verdadeira (2Ts 2.1-3).
Vs 21 a 24 →... NÃO TEM INTERESSE EM VIVER O JUÍZO E JUSTIÇA DE DEUS NA VIDA DO PRÓXIMO, MAS APENAS ADORÁ-LO COM RITUAIS
As pessoas acham que cultuar a Deus é algo separado das atividades corriqueiras, como se as mesmas tivessem sido dadas para nos afastar Dele. Não acha isto uma incoerência? Como Deus poderia nos ter feito com necessidades que, supostamente, servissem apenas para nos manter ocupados com as coisas desta vida e roubar nosso tempo com Ele?
Amós condena Israel por duas razões:

*      Por estar tentando agradar a Deus com sacrifícios, sem se preocupar com a obediência (Is 1.11-18);
*      Por estar ofertando a Deus sacrifícios corrompidos (tal como na época de Malaquias – Ml 1.7,8,12; 2.3).

A ideia era que buscássemos a justiça Dele a cada instante, para a vida de cada pessoa. A partir do momento que não existe interesse em ver a o juízo e a justiça de Deus fluindo como um rio perene (Mq 6.8), então qual é a finalidade de festas sagradas, assembleias solenes, sacrifícios, ofertas, cânticos (vs 21 a 23; Lv 26.31; Pv 21.27; Jr 6.20; Os 8.13; Mq 6.6,7)? Sem obediência e retidão, Deus não gosta nem que ore (Is 1.15), oferte (Is 1.12; Ml 2.13), pronuncie Sua Palavra (Sl 50.16), nem lhe faça qualquer outra coisa (1Sm 15.22; Sl 66.18; Os 6.6).
Já reparou a quantidade de conflitos que existe nas instituições religiosas? É Deus aborrecendo estes cultos, a fim de que todos percebam que não estão Lhe agradando (note que Deus diz “vossas” festas, “vossas” assembleias solenes, ao invés de dizer “minhas”).
Basta pensar que Deus não é Deus de confusão, mas de paz (1Co 14.33). Deus não quer ser bajulado, mas sim lembrado nas mínimas coisas, nos detalhes do dia a dia. Ao invés de sairmos por aí nos desgastando em uma enorme quantidade de tarefas (Is 47.13; 57.10; Lm 2.14), enganando-nos a nós mesmos (como se deu com os obreiros da iniquidade – Mt 7.21-23; Lc 13.23-28), pensando que estamos alegrando o coração de Deus, se empenhe em entender (Ef 5.17) a vontade do Senhor para que você não seja reprovado na boa obra.
Quando Deus diz “afasta de mim...” (vs 23), a ideia é a de alguém que foi sobrecarregado com rituais vazios e fúteis, repleto de coisa imunda e deseja, desesperadamente, ficar livre de tudo isto.
Vs 25 a 27 →... NÃO PERGUNTA A SI MESMO: A QUEM ESTOU CULTUANDO? O OBJETIVO FINAL É AGRADAR A DEUS, OU SER AGRADADO POR ELE?
Tal como hoje, muitos achavam que estavam cultuando a Deus (Mt 7.21-23; Lc 13.23-28) quando, na verdade, estavam cultuando a eles mesmos através dos deuses que eles criaram (vs 26; (Dt 32.17; Js 24.14; Ez 20.8,16,24; At 7.42; Is 43.23):

*      Estabeleceram reis sem o consentimento de Deus (Os 8.4);
*      Os deuses deles eram tão numerosos quanto as suas cidades (Jr 2.28);
*      Até dentro do templo estavam as contaminações deles (Ez 8.10-16).

Urge salientar que a pergunta “Oferecestes-me vós sacrifícios e oblações no deserto por quarenta anos, ó casa de Israel?” não significa que eles não estivessem oferecendo algo a Deus. Como se vê em Êx 24.4, eles ofereciam sacrifícios a Deus. O problema, contudo, é que eles levavam, às escondidas, ídolos consigo (vs 26; como se deu em Ez 20.39). De modo que, embora eles seguissem as ordenanças de Deus corretamente (enquanto estavam no deserto), estavam praticando transferência de identidade, ou seja, adorando a Deus como se Ele fosse um dos ídolos do Egito. Embora Moisés soubesse que eles estavam em rebeldia (Dt 31.21,27), é bem provável que ele não soubesse os detalhes. A verdade é que, ou nossa felicidade está na companhia do próprio Deus, ou estará naquilo que Ele tem para nos oferecer.
Inclusive, o fato de Deus se proclamar Aquele que criou as estrelas, se deve ao fato de eles adorarem a estrela do Deus renfã (Am 5.8; At 7.43). De igual modo, ao se proclamar Senhor dos Exércitos (Am 5.14) e “o que faz súbita destruição sobre o forte” (Am 5.9), Ele estava dizendo que não havia necessidade de eles levarem consigo um rei (vs 26), já que Ele é poderoso para guiar e salvar. Veja que o desejo de ter um rei carnal já vinha sendo alimentado no coração deles desde o êxodo. Até que, na velhice de Samuel, eles tiveram permissão, para ruína deles, de escolher quem haveria de governar sobre eles (1Sm 8.7,19,20).
Eles queriam que Deus fosse como estes falsos deuses. Tanto que Miriã, ao promover um dança junto com as outras mulheres (Êx 15.20), tomou como base o modo dos egípcios prestarem culto aos seus deuses.
Já que eles queriam servir a criatura, Deus permitiria que eles fossem servir a estranhos além de Damasco (vs 17); Estêvão, contudo, confirma que era para além de Babilônia (At 7.43), o que confirma que o cativeiro predito (Am 4.3; 6.14) era na Assíria, o qual começou a se cumprir quando Tiglate-Pilezer, a serviço de Acaz, rei de Judá, invade Israel e a Síria (2Rs 15.29; 16.9; Is 8.4).
Aqui cita “para além de Damasco” (vs 27) porque a estrada que ligava Israel a Assíria passava por Damasco, que eles conheciam bem e temiam, em vista da invasão por Hazael, rei da Síria (2Rs 10.32,33; 13.7).
Já que eles não queriam negar a si mesmos, suprindo seus desejos e necessidades em Cristo, fazendo Dele seu motivo de alegria, de modo que apenas Jesus fosse visto, nada melhor do que ir para um lugar onde o homem é honrado. Muitos buscam isto, como se a fama fosse a melhor coisa do mundo. Contudo, esta só serve para separar ainda mais as pessoas:

*      Àqueles que conseguem atingir a fama, é imposto o fardo de carregar a sociedade nas costas e sustentar uma imagem. A bem da verdade, cada um, hoje, vive o vs 26, fazendo uma imagem de si mesmo diante do público e carregando isto nas costas, completamente incapaz se de ver livre desta carga. Sua alma entrou em cativeiro (Is 46.2) e clama para poder sair, não consegue achar o caminho;
*      Aos que não conseguem atingir a fama, querem viver às custas daqueles que conseguiram. Não conseguem, nem têm interesse em criar algo novo. Não têm nenhuma expectativa boa da vida.

Seja qual for o caso, a felicidade se acha longe de todos.
Alguém pode questionar: mas por que é que aqueles que alcançaram a fama não buscaram alcançar a felicidade sendo autênticos? Simples: porque o sistema é quem determina o tipo de pessoa que lhe convém e muitas, por causa dos privilégios prometidos, desistem de si mesmos para serem o que jamais deveriam ser.

AMÓS 6 → SERÁ AMALDIÇOADO POR TENTAR ENCONTRAR SUA VIDA NESTE MUNDO (Mt 10.39). TAL PESSOA FARÁ MAU USO DA PALAVRA, BÊNÇÃOS, DONS, TALENTOS E JUSTIÇA DE DEUS. Isto porque...

Vs 1 a 6 →... A VIDA REGALADA ENSOBERBECE E ENDURECE O CORAÇÃO, A PONTO DE NINGUÉM SE IMPORTAR COM O PRÓXIMO, MAS FAZER USO DO PODER JUDICIÁRIO SÓ PARA EXTORQUI-LO, SUPONDO QUE, COM ISTO, AFASTARÁ O DIA MAU
Eis o motivo dos israelitas estarem sendo repreendidos e amaldiçoados (vs 1):

*      Andam à vontade em Sião (vs 1). É bem visto pelo povão, considerado com benfeitor por fazer bem a si mesmo (ver Sl 49.18; Lc 6.24; 22.25);
*      Vivem sem receio no monte de Samaria (vs 1). Trata-se de homens notáveis da principal das nações, aos quais vêm a casa de Israel. Samaria e Sião eram consideradas pelo povo de Israel e Judá, respectivamente, como a principal das cidades, o lugar para onde deveriam se dirigir aqueles que tinham alguma questão a tratar.
É bom lembrar que, naquela época, Samaria gozava de grande prosperidade e a elite vivia tranquila em meio à prosperidade terrena;
*      Imaginais estar longe o dia mau (Am 9.10) e fazeis chegar o trono da violência (vs 3; Am 6.12) (fizeram um trono para a violência – Sl 94.20). Por acharem que jamais seriam julgados por toda maldade (parecia que ia demorar o cumprimento da Palavra de Deus - Ez 12.22,27), iam fazendo leis para fortalecer os mais fortes e enfraquecer os mais fracos (Is 10.1).
*      Dormis em camas de marfim (Am 3.15), e vos espreguiçais sobre o vosso leito (vs 4). Conseguiam dormir tranquilamente, sem se importar com a causa do pobre e do necessitado;
*      Comeis os cordeiros do rebanho e os bezerros do cevadouro (vs 4). Quem come demais está comendo o pão de outro (compare com a “santa ceia” de Corinto (1Co 11.21));
*      Cantais à toa ao som da lira (vs 5; Is 5.12). Se alegravam do nada (Am 6.13);
*      Inventais, como Davi, instrumentos músicos para vós mesmos (vs 5). Só inventavam aquilo que lhes convinha. Contudo, usavam o nome de Davi para justificar seus cultos luxuosos, já que ele era, para Israel, o exemplo de que um cantor, músico ou poeta deveria ser (2Sm 23.1; 1Cr 23.5; Ne 12.36).
No entanto, enquanto ele desenvolveu suas habilidades musicais nos momentos de paz para louvar a Deus, o povo de Israel estava buscando prazer egoísta, enquanto a ira de Deus pairava sobre a nação;
*      Bebeis vinho em taças, como cães gulosos que não se podem fartar (vs 6; Is 56.10-12). Só querem explorar os outros para adquirirem mais ocasiões para festejar;
*      Vos ungis com o mais excelente óleo (vs 6). Tentando aplacar o mau-cheiro que exalava do interior deles (ver Mt 23.27; 2Co 2.14-16).

Enquanto a elite vivia na prosperidade deste mundo, ninguém se afligia com a ruína de José, ou seja, com o sofrimento dos necessitados. Tampouco estavam interessados no mal que haveria de vir sobre a nação inteira (ver Sl 60.2; Ez 34.4). O fato de achar que o mal não o atingirá, torna a pessoa negligente quanto ao bem (Ec 8.12,13; Is 47.8,10; Sf 2.15; Mt 24.48). Basta pensar que o povo de Israel, de igual modo, estava fazendo os mais pobres de escravos (Am 2.6) a fim de vendê-los (Am 8.5,6).
A aflição de José lembra quando José foi lançado na cova sem água (Gn 37.24). Enquanto José agonizava, seus irmãos se assentavam para comer pão (Gn 37.25) e decidir o destino dele.
A sensação de segurança do povo religioso, por estar numa das nações mais proeminentes da época, os fizeram ir em busca de uma vida regalada, sem qualquer preocupação com os necessitados.  E o pior: se achavam melhores que os outros reinos.
O vs 2 constitui um parênteses. Calné foi derrotada pela Assíria (Is 10.9) e Hamate primeiro subjugada por Jeroboão II (2Rs 14.25) e depois pela Assíria (2Rs 18.34). Ambas eram duas importantes cidades da Síria. Gate também era cidade proeminente, que foi conquistada por Uzias (2Cr 26.6). Deus estava querendo mostrar que, assim como estas cidades de destaque seriam destruídas, eles também seriam. Se países menores foram alvo da cobiça da Assíria, quão dirá países bem maiores, como Israel e Judá.
Israel não deveria supor que, por estar gozando de um momento de prosperidade, seria poupado da tragédia. Inclusive, por aqui pode-se ver que, quanto mais recursos as pessoas adquirem, mais fácil fica para elas se tornarem egoístas e más. Isto porque, ao invés de usarem os recursos para ajudarem os outros, eles agora se sentem obrigados a se esforçarem para conservarem o que pensam ter, além do desejo que surge de adquirir mais.
Vs 7 a 11 →... ÀQUELES QUE PENSAM EM ACHAR SUA VIDA NESTE MUNDO (Mt 10.39), NÃO É PERMITIDO CULTUAR AO CRIADOR. OS TAIS PERDERAM SUA VERDADEIRA VIDA E NÃO TÊM MAIS ALMA PARA COMUNICAR
Por causa da indiferença para com os sofredores e pobres, o Criador iria permitir que eles fossem levados cativos para que os festins dos banqueteadores cessassem (vs 7) e os palácios onde os mesmos acontecem, fossem destruídos.
Não há o que pensar: quem busca conforto material, quer motivos para não ter que pensar no próximo, independente se mora em uma casa grande ou pequena (vs 11). Isto mais uma vez confirma a impiedade de todos, independente da classe social (vs 11) e explica o motivo pelo qual ambas as casas seriam destruídas.
Daí a destruição de tudo, o cativeiro e o fim do culto.
A situação era tão dramática e imutável que Deus fez questão de jurar 3 vezes:

*      Jurou o SENHOR Deus por si mesmo, o SENHOR, Deus dos Exércitos, e disse: Abomino a soberba de Jacó e odeio os seus castelos; e abandonarei a cidade e tudo o que nela há.” (Am 6.8);   
*      Jurou o Senhor DEUS, pela sua santidade, que dias estão para vir sobre vós, em que vos levarão com ganchos e a vossos descendentes com anzóis de pesca.” (Am 4.2);
*      Jurou o SENHOR pela glória de Jacó: Eu não me esquecerei de todas as suas obras para sempre.” (Am 8.7).

Isto nos faz lembrar 2 outras ocasiões semelhantes:

*     Jurou o SENHOR dos Exércitos por si mesmo, dizendo: Ainda que te enchi de homens, como de lagarta, contudo levantarão gritaria contra ti.” (Jr 51.14);
*     “Porque, quando Deus fez a promessa a Abraão, como não tinha outro maior por quem jurasse, jurou por si mesmo,” (Hb 6.13).

Embora toda Palavra de Deus seja séria e verdadeira, o juramento é uma forma de fortalecer aquilo que já é forte em si mesmo e colocar em evidência aquilo que Deus quer mostrar. No caso em questão, mostrar (vs 8):

*      O quanto era abominável a soberba de Jacó, a saber, os seus santuários (principalmente o templo – Jr 7.3; Ez 24.21). Eles se vangloriavam de serem os portadores da revelação de Deus (Rm 3.1,2,9; 9.4,5), seus escolhidos;
*      O quão odiosos eram os castelos de Israel, já que eles estavam sendo construídos com a exploração dos mais fracos, e isto para armazenar o que eles extorquiram e roubaram deles (Am 3.10,15). E pensar que tais casas, outrora, fora objeto da alegria de Deus (Sl 48.3,13; 87.2);
*      A rapidez com que a cidade (tanto Samaria quanto Jerusalém) seria abandonada, com todos e tudo o que nela há.

E de fato isto funciona. Uma das coisas que todo ser humano deseja é estabilidade, certeza, segurança. E, se o próprio Deus faz questão de dar esta certeza, de modo duplo, quão dirá nós.
Se queremos que as pessoas confiem em nós, devemos dizer sempre a verdade e sem mudarmos de posição (1Tm 3.8; Tg 1.5-8). Afinal, se Deus não muda, também não devemos mudar. Mesmo porque, tudo que não provém de fé é pecado (Rm 14.23).
E note como funciona. No que Deus jurou por 3 vezes e eles viram a destruição acontecendo, o parente chegado, quando vê que aquele que estava no interior da casa ia mencionar o nome do Senhor, na mesma hora intervém, dizendo que eles não tinham autorização de fazer menção do nome Dele, sob pena de que a casa grande viria a ser destroçada em ruínas e a pequena, feita em pedaços (vs 11; Am 3.15). Sem contar que os 10 que restassem dentro de uma casa, poderiam morrer, nem que fosse de peste (Jr 24.10; 44.13; Ez 6.11).
A maldade era tanta, que eles não podiam nem mencionar o nome do Senhor (vs 10). Antes, quem fosse prudente deveria guardar silêncio (Am 5.13) a fim de não ser precipitado em pronunciar nenhuma palavra diante de Deus (Ec 5.1-3). Afinal, já pensou que tragédia comprometer-se com Deus em algo mau? Neste caso, mesmo com dano nosso (Sl 15.4), não podemos mudar (ver Js 9.19; 11.35; Sl 15.4; 1Tm 3.8), sob pena de acontecer o mesmo que se deu na época de Davi (2Sm 21.1,2). Até quando fossem enterrar alguém, eles deveriam guardar silêncio (Am 8.3) para não correr o risco de usar o nome do Senhor em vão (Êx 20.7). Naquela época era comum entoar lamentações pelos mortos. Contudo, em muito destas lamentações o nome do Senhor era proferido (2Sm 1.17-27; Cr 35.25). Daí o tio mandar a pessoa se calar: para não entoar lamentações.
Eles, que se orgulhavam de serem o povo do Senhor, agora teriam medo até mesmo de agradecerem a Deus por terem sobrevivido (terror semelhante acontecerá em Ap 6.16).
Alguém poderia questionar: como é possível que restassem 10 pessoas numa casa? Por que o inimigo não haveria de destruí-los também? A menos que fosse num vilarejo pobre. Trata-se, todavia, de um número simbólico (Lv 26.26; Zc 8.23; Mt 25.1; Dt 33.2; 1Co 4.15; 14.19; Ap 2.10; 12.3; 13.1; 17.3; Mt 18.24; Lc 14.31; 15.8; 19.13), indicando que, não importa o esforço que eles fizessem para fugir da perseguição do inimigo: enquanto se mantivessem em rebeldia, morreriam de uma forma ou de outra.
Inclusive, por aqui podemos perceber que até mesmo os pobres exploravam seus companheiros de pobreza. Ao invés de se unirem ao Senhor e uns com os outros para, juntos, amadurecerem e crescerem, preferiram ajudar os ricos a prejudicarem os outros (e a si mesmos, ainda que não percebessem isto), em troca de um salário miserável (Am 4.1; Sf 1.9).
Urge ressaltar que o parente chegado não foi enterrando eles como era normal (Gn 25.9; 35.29; Jz 16.31), mas os queimou. Talvez um ato de desespero, para evitar contaminação (isto lembra - 1Sm 31.12,13) através de uma possível peste, como mencionado acima. Também é oportuno salientar que, ao contrário do rei de Edom que queimou os ossos por completo por ruindade (Am 2.1), aqui queimou apenas a carne para impedir a putrefação (tanto que estavam levando os ossos para fora de casa – vs 10).
O fato de o parente mais próximo de um dos 10 ser um tio, mostra que, mesmo que alguém escapasse dos inimigos e da peste, viveria para ver a dor, sofrimento e morte do que tanto amava (isto, muitas vezes, é pior do que morrer – ver Jr 20.17,18). E quanto ao único sobrevivente dos 10 que restaram na casa (vs 10), que tristeza é viver vendo as pessoas próximas a si (talvez até entes queridos) padecerem, morrerem e, por fim, serem enterrados.
Como todos os 10 deveriam morrer (vs 10), o tio achava que, se permanecessem calado, quem sabe poderiam ser poupados da morte. Ignoravam que, quando Deus envia Sua Palavra, ela se cumpre cabalmente: não volta vazia (Is 55.10,11).
Vs 12 a 14 →... A VERDADEIRA JUSTIÇA É A ÚNICA COISA CAPAZ DE ALEGRAR O CORAÇÃO, SENDO IMPOSSÍVEL SEPARÁ-LADA COMPAIXÃO E MISERICÓRDIA (JAMAIS SENDO BUSCADA EM PROVEITO PRÓPRIO – VER Is 59.4).
Quem se considera forte, procura se alegrar do nada (vs 13), só para não ter compromisso com a justiça. Afinal, justiça e juízo amargos são a garantia desta falsa prosperidade.
O fato de não querer precisar de ninguém, torna a pessoa dura como rocha, impossível de ser arada pela Palavra de Deus e de aceitar a luz. No que, através de Jeroboão de Jeoás (2Rs 14.25), eles conseguiram derrotar os inimigos (pela própria força deles – vs 13), eles passaram a se achar fortes o suficiente para vencerem tudo e todos sozinhos e, assim, conquistarem o poder, ou seja, a capacidade de realizar trabalho. No entanto, que serventia pode ter um trabalho, quando o objetivo não é compartilhar o mesmo (juntamente com seus frutos) com o próximo?
Assim como é impossível cavalos correrem na rocha e de bois a lavrarem, é inadmissível que a verdadeira justiça seja algo venenoso e amargoso como absinto (Ap 8.11). Que adianta tombar a balança da justiça para o nosso lado, quando o que realmente tem valor sempre fica do lado oposto da balança? Por não enxergarem isto, multiplicavam palavras, jurando falsamente, a fim de fazerem alianças (Os 10.4) malignas para atrair este juízo amargoso para junto de si (vs 12; Am 5.7).
No que eles traíam a verdadeira justiça, eles estavam impedindo a bênção de Deus de chegar ao Seu povo, o que fazia deles, pessoas malditas. Eles estavam se comportando como rocha dura (Ez 11.19; 36.26), na qual Seu favor não pode correr, nem arar. A verdade é que, quem não aceita ser cultivado como campo, será abandonado como rocha.  
A verdadeira justiça só nos leva a nos alegrarmos com aquilo que é bom para o caráter de todos. A verdadeira justiça jamais se conforma que alguém seja prejudicado, nem se alegra quando alguém precisa ser punido. Antes, considera o fim de um ser humano sem Cristo, uma grande perda.
A verdadeira justiça não necessita de vinho (vs 6), música (vs 5), banquete (vs 4) ou luxo para forçar uma alegria no coração. Antes, ela é a verdadeira alegria daquele que crê (1Co 13.6).
No final, a opressão que tanto temem será a recompensa deles. Note como, mais uma vez o inimigo não é citado: justamente para dar ocasião a novos candidatos no futuro.
Jeroboão de Jeoás tinha acabado de conquistar para Israel, a terra desde a entrada de Hamate (cidade da Síria, limite norte da terra que Deus deu para Israel – Nm 34.7-9) até o mar da planície (vs 14; 2Rs 14.25). Em outras palavras, Deus estava dizendo que eles não deveriam se alegrar com a terra recentemente conquistada, pois ela seria o ponto de partida da invasão do exército Assírio (o que realmente aconteceu – 2Rs 17.24; 18.34). E pensar que, na época de Salomão, ele celebrou uma festa desde a entrada de Hamate (limite norte de Israel) até ao rio do Egito (limite sul prometido por Deus a Israel).

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