O QUE É A VERDADE? O QUE É
NECESSÁRIO PARA ADQUIRI-LA?
Parece
uma pergunta boba. Todavia, pense: quem conhece a verdade é liberto (Jo 8.32). Não diz que há
exceção. Entretanto, quando a Escritura
Sagrada fala de Jesus, o menciona como pedra angular e, ao mesmo tempo, pedra
de tropeço:


Entendendo
que Jesus é a verdade (Jo 14.6),
era de se esperar que, para um determinado grupo de pessoas, a verdade servisse
de firmeza e para outros, de tropeço. Todavia, quem conhece a verdade é sempre
liberto.
Mas
então, o que é a verdade? Muitos acham que é sinônimo de afirmação correta. No
entanto, pense:



o
“Ora, os príncipes dos sacerdotes,
e os anciãos, e todo o conselho, buscavam falso testemunho contra Jesus, para
poderem dar-lhe a morte; e não o achavam;” (Mt
26.59).
o
“E, levantando-se alguns,
testificaram falsamente contra ele, dizendo: Nós ouvimos-lhe dizer: Eu
derrubarei este templo, construído por mãos de homens, e em três dias
edificarei outro, não feito por mãos de homens.” (Mc
14.57,58).
O
detalhe é que, embora Jesus não tenha dito exatamente o que eles estavam
alegando, a afirmação, no fundo, é verdadeira (Jo 2.19).
Todavia, tal testemunha foi considerada falsa.
Ou
seja, é preciso mais do que assertivas corretas para uma frase ser considerada
como verdade. Pense, por exemplo, nas peças de um carro. Mesmo que todas sejam
novinhas e perfeitas, de que servem?
Ø
Para
mecânico é bênção, já que delas precisa para consertar o carro;
Ø
Para
o consumidor, contudo, elas só servem de tropeço, como esconderijo de animais e
para ajuntar poeira.
Assim,
de nada adianta conceitos certos, mas incompletos, fora de lugar ou nas mãos da
pessoa errada. Veja:

Não
podemos ser pragmáticos, ou seja, achar que algo é verdade só porque está
funcionando.
Pense:
por mais de 5.000 anos as pessoas creram que era o sol que girava em torno da
terra. Embora tal conceito tenha funcionado para várias gerações, nem por isto
estava correto. E quanto à casa que o indivíduo construiu sobre a areia? Ela
chegou a ser concluída (Mt 7.24-27).
Tudo parecia estar indo bem. Todavia, quando veio a tempestade (e nós sabemos que ela virá – Jo
16.33), tudo
caiu.
Logo,
a distância entre verdade e mentira é tênue. Mesmo se uma ideia é correta, se
colocada no contexto errado, pode se tornar uma maldição. Basta pensar que,
para condenar o Salvador e Daniel, fizeram uso da Palavra de Deus (Dn 6.5).
Por
isto Jesus disse que somente é liberto aquele que conhece a Verdade dentro de
si (Jo 8.32). Não basta apenas sabê-la ou
acreditar nela. É preciso ser exercitado nela para que a mesma venha a fazer
parte de nós. Note como o diabo não permaneceu na verdade porque não há verdade
nele (Jo 8.44).
E
não pense que a verdade é fácil de ser adquirida. Embora ela seja evidente (Rm 1.18), ela também precisa ser
encontrada (Mt 7.13,14).
Embora seja de graça (Is 55.1-3),
precisa ser adquirida (Pv 2.3-5; 3.13-15; 23.23).
Sei
que isto parece um paradoxo. Contudo, a dificuldade não está em Deus, mas sim
na nossa forma de ver (conforme os desejos da nossa carne) e entender (conforme aquilo que nos foi
ensinado)
todas as coisas. Embora a verdade seja óbvia e esteja na nossa cara, precisamos
aceitar a mudança que Deus deseja operar nos nossos hábitos para que a mesma
possa ser compreendida e assimilada por nós.
O
esforço para adquirir sabedoria é justamente para este fim, a saber: para que o
coração seja preparado (ver Ed 7.9,10),
de modo que a pessoa possa acolher com mansidão a palavra que Deus deseja
enxertar (Tg 1.21).
Nenhum comentário:
Postar um comentário