sábado, 19 de setembro de 2015

116 - Por que o animal a ser sacrificado tinha que ser o melhor?

Por que o animal a ser sacrificado tinha que ser o melhor?

 

·         “Isto é o que lhes hás de fazer, para os santificar, para que me administrem o sacerdócio: Toma um novilho e dois carneiros sem mácula,” (Êx 29.1).

·         “Assim queimarás todo o carneiro sobre o altar; é um holocausto para o SENHOR, cheiro suave; uma oferta queimada ao SENHOR.” (Êx 29.18).

 

Note como a oferta deveria ser sem mácula e de cheiro suave? Isto parece um desperdício, considerando que o animal todo seria queimado. Não seria muito melhor alimentar indivíduos pobres com estes animais? No entanto, isto serve para nos ensinar que o pecado não traz proveito real a quem dele faz uso. Embora muitas das ofertas fossem comidas, nunca alguma serviu para aperfeiçoar os ofertantes (Hb 10.1). O pecado pode, aparentemente, trazer alívio momentâneo, mas o final é amargo. Assim, a oferta que melhor retrata esta realidade é o holocausto.

Quanto à questão do desperdício, veja o que disse Jesus?

 

·         “E, estando Jesus em Betânia, em casa de Simão, o leproso, aproximou-se dele uma mulher com um vaso de alabastro, com ungüento de grande valor, e derramou-lho sobre a cabeça, quando ele estava assentado à mesa. E os seus discípulos, vendo isto, indignaram-se, dizendo: Por que é este desperdício? Pois este ungüento podia vender-se por grande preço, e dar-se o dinheiro aos pobres. Jesus, porém, conhecendo isto, disse-lhes: Por que afligis esta mulher? pois praticou uma boa ação para comigo. Porquanto sempre tendes convosco os pobres, mas a mim não me haveis de ter sempre. Ora, derramando ela este ungüento sobre o meu corpo, fê-lo preparando-me para o meu sepultamento. Em verdade vos digo que, onde quer que este evangelho for pregado em todo o mundo, também será referido o que ela fez, para memória sua.” (Mt 26.6-13).

·         “E, estando ele em Betânia, assentado à mesa, em casa de Simão, o leproso, veio uma mulher, que trazia um vaso de alabastro, com ungüento de nardo puro, de muito preço, e quebrando o vaso, lho derramou sobre a cabeça. E alguns houve que em si mesmos se indignaram, e disseram: Para que se fez este desperdício de ungüento? Porque podia vender-se por mais de trezentos dinheiros, e dá-lo aos pobres. E bramavam contra ela. Jesus, porém, disse: Deixai-a, por que a molestais? Ela fez-me boa obra. Porque sempre tendes os pobres convosco, e podeis fazer-lhes bem, quando quiserdes; mas a mim nem sempre me tendes. Esta fez o que podia; antecipou-se a ungir o meu corpo para a sepultura. Em verdade vos digo que, em todas as partes do mundo onde este evangelho for pregado, também o que ela fez será contado para sua memória.” (Mc 14.3-9).

·         “Então Maria, tomando um arrátel de ungüento de nardo puro, de muito preço, ungiu os pés de Jesus, e enxugou-lhe os pés com os seus cabelos; e encheu-se a casa do cheiro do ungüento. Então, um dos seus discípulos, Judas Iscariotes, filho de Simão, o que havia de traí-lo, disse: por que não se vendeu este ungüento por trezentos dinheiros e não se deu aos pobres? Ora, ele disse isto, não pelo cuidado que tivesse dos pobres, mas porque era ladrão e tinha a bolsa, e tirava o que ali se lançava. Disse, pois, Jesus: Deixai-a; para o dia da minha sepultura guardou isto; porque os pobres sempre os tendes convosco, mas a mim nem sempre me tendes.” (Jo 12.3-8).

 

Se você analisar o argumento dos discípulos (em particular, Judas), tudo parece coerente. No entanto, você se lembra do que aconteceu com Judas imediatamente após este episódio? Saiu para trair Jesus (Mt 16.14; Mc 14.10). Ou seja, este argumento de sabedoria humana era algo louco diante do Eterno (1Co 3.18-20).

Pense de outro modo: para se vender o perfume pelo salário de trezentos dias de um trabalhador, alguém teria que comprá-lo. Isto era incentivar outro indivíduo à vaidade.

Era Maria mesma quem deveria usar este perfume, e isto do modo certo.

E não pense que este ato foi algo banal. Você se lembra de como Maria foi chamada da primeira vez? Pecadora:

 

·         “E eis que uma mulher da cidade, uma pecadora, sabendo que ele estava à mesa em casa do fariseu, levou um vaso de alabastro com ungüento; e, estando por detrás, aos seus pés, chorando, começou a regar-lhe os pés com lágrimas, e enxugava-lhos com os cabelos da sua cabeça; e beijava-lhe os pés, e ungia-lhos com o ungüento. Quando isto viu o fariseu que o tinha convidado, falava consigo, dizendo: Se este fora profeta, bem saberia quem e qual é a mulher que lhe tocou, pois é uma pecadora.” (Lc 7.37-39).

·         “E Maria era aquela que tinha ungido o Senhor com ungüento, e lhe tinha enxugado os pés com os seus cabelos, cujo irmão Lázaro estava enfermo.” (Jo 11.2).

 

Após este episódio, ela é chamada de mulher, vindo até a ser chamada pelo nome por João. No entanto, o tipo de adoração dela trouxe escândalo. O seu modo de adorar o Eterno incomodava o sistema religioso (pois não lhe rendia lucro). Logo, não se trata de mero desperdício, mas sim de investir o melhor para chocar os indivíduos à volta, levá-los a repensar seus conceitos e valores.

E se tem alguém que nunca tem medo de investir alto é o Eterno:

 

·         “E, quanto ao vestuário, por que andais solícitos? Olhai para os lírios do campo, como eles crescem; não trabalham nem fiam; e eu vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles. Pois, se Deus assim veste a erva do campo, que hoje existe, e amanhã é lançada no forno, não vos vestirá muito mais a vós, homens de pouca fé?” (Mt 6.28-30).

 

Perceba como, embora a duração de uma flor seja tão pequena, ainda assim o Eterno faz questão de fazê-la com tanto esmero. E tudo isto para tornar agradável o trabalho dos insetos de polinizarem as flores. Aliás, elas fazem isto, não como um trabalho, mas como uma diversão. Elas vão de flor em flor para se alimentarem e, com isto, acabam fertilizando as flores e, obviamente, contribuindo com a nossa alimentação.

Aliás, a vontade do Eterno é sempre boa, perfeita e agradável (Rm 12.2). Por exemplo: quando você está com fome, você tem prazer em alimentar; quando tem sede, tem prazer ao beber água; quando está com sono, sente bem em dormir; quando sente carência, encontra prazer relacionando com o cônjuge. Note, no entanto que o prazer vem naturalmente, bastando apenas que cada coisa seja feita do jeito certo e na hora certa. Por outro lado, parece uma tortura beber água quando não se está com sede.

Mas afinal, por que é preciso sacrificar o que é bom? Porque é justamente isto que nos prende. É a expectativa do bem que podemos perder é que nos deixa melindrosos na hora de criarmos relacionamentos ou nos incita a usarmos de maldade para com o próximo.

A bem da verdade, toda bênção nos é dada pelo Eterno para ser sacrificada. Se não sacrificarmos a bênção no altar do Eterno, ela vai acabar nos sacrificando no altar de Ha-Satan.

Afinal, pense: já que não vamos levar nada deste mundo (1Tm 6.7,8), então porque afinal estamos tão interessados em conservar tudo? Ainda mais considerando que tudo vai ser destruído pelo fogo (2Pe 3.10-12)? Deveríamos estar usando as bênçãos para granjear amigos (Lc 16.9). Elas deveriam servir para mostrar um atributo do Eterno.

Houve casos em que algo teve que ser quebrado ou destruído para mostrar algo do Eterno:

 

·         “Então quebrarás a botija à vista dos homens que forem contigo.” (Jeremias 19.10).

·         “E disse Jeremias a Seraías: Quando chegares a Babilônia, verás e lerás todas estas palavras. E dirás: SENHOR, tu falaste contra este lugar, que o havias de desarraigar, até não ficar nele morador algum, nem homem nem animal, e que se tornaria em perpétua desolação. E será que, acabando tu de ler este livro, atar-lhe-ás uma pedra e lançá-lo-ás no meio do Eufrates.” (Jr 51.61-63)

·         “Sucedeu, ao final de muitos dias, que me disse o SENHOR: Levanta-te, vai ao Eufrates, e toma dali o cinto que te ordenei que o escondesses ali. E fui ao Eufrates, e cavei, e tomei o cinto do lugar onde o havia escondido; e eis que o cinto tinha apodrecido, e para nada prestava.” (Jeremias 13.6,7).

 

Note como foram “desperdiçados” uma botija, um livro escrito e um cinto. No entanto, isto é para nos ensinar que, muitas vezes, alguma coisa seja destruída para que algo bom venha a surgir. Por exemplo:

 

·         O grão primeiro tem que morrer para depois nascer (Jo 12.24; 1Co 15.36);

·         Para se ter calor, algo tem que virar cinzas.

 

Isto sem contar o dilúvio, a destruição de Sodoma e Gomorra e do templo de Jerusalém.

Em outras palavras, não precisamos ter dó de ver algum bem material sendo sacrificado. Eles foram criados para serem temporários (2Co 4.18), até que a mensagem do Eterno seja confirmada e, deste modo, venha a estabelecer e fortalecer uma amizade.

Até a palavra que dizemos tem que ser sacrificada:

 

·         “A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para que saibais como vos convém responder a cada um.” (Cl 4.6).

 

Agora você entende por que a palavra tem que ser sempre temperada com sal? Toda oferta deveria conter sal (Lv 2.13). E a palavra que dizemos não deixa de ser uma oferta, ou seja, algo que precisa ser “queimada”.

Como assim? Uma coisa é completamente destruída após queimada. Ora, se a importância da oferta tivesse nela mesma, que necessidade haveria de a mesma ser destruída (ou pelo menos consumida)? Se a importância estivesse na oferta, deveria se esperar que a mesma permanecesse como um memorial. Ora, se memorial resolvesse o problema, bastava a natureza.

O que o Eterno deseja são memoriais vivos. A oferta em si não tem valor, mas sim os relacionamentos que são construídos a partir dela, bem como o que podemos conhecer de Jesus.

No caso da Palavra do Eterno, devemos nos alimentar dela, ou seja, deixar que ela seja queimada no processo de digestão e, deste modo, a mesma se torne parte integrante de nós. Ou seja, ela não é para ser vista separada de nós (apenas na nossa boca ou em nossas mãos).

E a palavra tinha que ser agradável, ou seja, ela tinha que satisfazer a vida de quem a ouve. Todavia, urge salientar que a agradabilidade da palavra depende também de quem a ouve. Assim como apenas o sedento tem prazer na água, apenas aquele que tem fome e sede em seu espírito é que conseguirá se fartar com a palavra do Eterno. Todavia, nosso papel é ofertar uma palavra de qualidade.

Para que fique mais claro: uma manga é sempre doce. No entanto, alguém que não tiver com fome não conseguirá encontrar prazer em comê-la.

Vem a questão: que tipo de palavra poderíamos dizer que fosse capaz de agradar os outros?

Nossa palavra só será agradável quando a vivermos fielmente, de modo a servirmos de tempero na vida dos indivíduos que nos cercam. Só assim nossa vida passará a ser uma resposta a cada um que nos cerca.

Por fim, só seremos capazes de saber como é conveniente responder a cada um quando nossa palavra for agradável e temperada com sal. Ou seja, só enxergaremos tal conveniência quando a Palavra do Eterno na nossa vida fizer de nós indivíduos completamente agradáveis àqueles que estão à nossa volta e que amam a verdade, a justiça, a honestidade.

 

 

 

 

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