quinta-feira, 13 de agosto de 2015

96 - Para quê você quer que teu casamento dê certo?

Para quê você quer que teu casamento dê certo?

 

Isto pode parecer uma pergunta idiota. No entanto, mais idiota são as respostas que a maioria dá a esta pergunta, como se o casamento servisse simplesmente para suprir uma carência física e emocional ou para ter momentos de prazer.

Comecemos respondendo à seguinte pergunta: “para que serve o casamento?”.

 

·         “Ainda fazeis isto outra vez, cobrindo o altar do SENHOR de lágrimas, com choro e com gemidos; de sorte que ele não olha mais para a oferta, nem a aceitará com prazer da vossa mão. E dizeis: Por quê? Porque o SENHOR foi testemunha entre ti e a mulher da tua mocidade, com a qual tu foste desleal, sendo ela a tua companheira, e a mulher da tua aliança. E não fez ele somente um, ainda que lhe sobrava o espírito? E por que somente um? Ele buscava uma descendência para Deus. Portanto guardai-vos em vosso espírito, e ninguém seja infiel para com a mulher da sua mocidade.” (Ml 2.13-15 - ACF).

·         “E não fez ele somente um, sobejando-lhe espírito? E por que somente um? Ele buscava uma semente de piedosos; portanto, guardai-vos em vosso espírito, e ninguém seja desleal para com a mulher da sua mocidade.” (Ml 2.15 – ARC 1995).

 

Repare como o Eterno busca uma semente de piedosos, uma descendência para Ele.

Vem a pergunta: o que é piedade? Piedade é sinônimo de misericórdia, a qual implica no exercício do perdão.

E quanto a semente? A característica básica da semente é sua capacidade de gerar uma nova árvore repleta de frutos. Note que o objetivo do Eterno não é gerar semente de “piedade”, mas semente de “piedosos”. Ou seja, o Eterno não quer simplesmente propagar a piedade, mas sim o número de indivíduos que exercitam a piedade. A ideia é um indivíduo piedoso gerando vários indivíduos piedosos que, por sua vez gera mais indivíduos piedosos.

Para ser mais exato: não se trata de comunicar apenas Jesus e Sua Palavra, mas também a si mesmo. Isto pode ser visto na parábola do semeador.

 

·         “Ouvindo alguém a palavra do reino, e não a entendendo, vem o maligno, e arrebata o que foi semeado no seu coração; este é o que foi semeado ao pé do caminho.” (Mt 13.19)

·         “Esta é, pois, a parábola: A semente é a palavra de Deus;” (Lc 8.11).

 

Embora Jesus tenha dito que a semente é a Palavra do Eterno, note o artigo “o” destacado em Mt 13.19. Ora, deveria ser “a” de “a semente”. A única razão para ser “o” é porque está se referindo ao ser humano. Ou seja, junto com a Palavra e o Espírito do Eterno, o indivíduo deve ser semeado.

Como assim? O indivíduo deve semear a si mesmo como um testemunho de que a Escritura Sagrada realmente funciona. Se tal indivíduo semear apenas Jesus e Sua Palavra, quando a situação apertar para aquele que foi evangelizado, ele irá fraquejar na fé. No entanto, se na hora que vierem as lutas e tribulações o que foi evangelizado também tiver, dentro de si, o testemunho de que os mesmos funcionam, ele se sentirá animado a permanecer no amor de Jesus (Jo 15.9).

Para entender como que isto funciona, analisemos a lei do levirato:

 

·         “Quando irmãos morarem juntos, e um deles morrer, e não tiver filho, então a mulher do falecido não se casará com homem estranho, de fora; seu cunhado estará com ela, e a receberá por mulher, e fará a obrigação de cunhado para com ela. E o primogênito que ela lhe der será sucessor do nome do seu irmão falecido, para que o seu nome não se apague em Israel.” (Dt 25.5,6).

 

Observe que o nome (identidade) do pai deveria ser perpetuado. Como assim?

Colocando em prática o mandamento abaixo, repetido duas vezes pelo Eterno:

 

·         “E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração; e as ensinarás a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te e levantando-te. Também as atarás por sinal na tua mão, e te serão por frontais entre os teus olhos. E as escreverás nos umbrais de tua casa, e nas tuas portas.” (Dt 6.6-9).

·         “Ponde, pois, estas minhas palavras no vosso coração e na vossa alma, e atai-as por sinal na vossa mão, para que estejam por frontais entre os vossos olhos. E ensinai-as a vossos filhos, falando delas assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te, e levantando-te; e escreve-as nos umbrais de tua casa, e nas tuas portas;” (Dt 11.18-20).

 

Entenda: quando o Eterno disse que marido e mulher deveriam formar uma só carne (Gn 2.24), Ele não estava brincando. A ideia é que, onde quer que o marido vá, ele leve sua auxiliadora idônea junto, acompanhado dos filhos.

Se ele viver o mandamento acima acompanhado deles, cônjuge e filhos terão em si o testemunho de que Jesus e Sua Palavra funcionam.

Para exemplificar isto, suponhamos que o indivíduo vá até o açougue e ali surge um problema, mas o indivíduo consegue contornar a situação buscando em Jesus o cumprimento de Sua Palavra. Após isto, cônjuge filhos verão a Escritura Sagrada funcionando de modo vivo. No outro dia este indivíduo vai com a família à mercearia e, ali, surge outro problema e, novamente, o indivíduo consegue a vitória confiando em Jesus. Mais outro testemunho é acrescentado na mente e coração de sua família. No dia seguinte este indivíduo, enquanto passeia na praça com sua família, surge outro problema e, novamente, ele permanece firme usando de misericórdia em Jesus e o milagre acontece. Mas outra experiência com o Eterno é registrada na vida de cada um deles. E assim por diante.

Que fique claro: quando digo vencer não estou dizendo sobrepujar o outro, mas sim buscar no Eterno o necessário para que ambos tenham o caráter transformado e venham a crescer na fé e no conhecimento de Jesus, vindo a serem um em Cristo.

Quando, no futuro, seus filhos casarem e vierem as lutas, além de eles lembrarem de Jesus e Sua Palavra, eles se lembrarão das vezes que viu o pai vencendo em Cristo no açougue, na mercearia, na praça, etc. e, assim, conseguirão serem usados pelo Eterno para manifestar a piedade.

Se somarmos cada uma das vezes que este filho viu seu pai, mãe e até mesmo irmãos da Igreja serem usados para manifestar a misericórdia do Eterno, cada uma deles estará vivendo dentro de si como testemunho da piedade. Resumindo: este indivíduo é uma semente que contém dentro de si vários indivíduos piedosos. Ele é uma semente de piedosos que irá viver a piedade na vida de seus filhos (sejam físicos ou espirituais), vindo a ocupar, no coração de cada um deles, um lugar de destaque. Em outras palavras, ele irá gerar mais indivíduos piedosos.

Uma das maiores causas de fracasso nos casamentos é o indivíduo considerar o mesmo como o “fim” quando, na verdade, o casamento é o início de uma grande obra, a criação de uma nova criatura. Você já parou para se perguntar em que consiste o novo nascimento?

 

·         “Jesus respondeu, e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.” (Jo 3.3).

 

Para entender isto, pense no que se dá quando se funde o cobre com o estanho e o chumbo. Forma-se uma liga metálica conhecida como bronze, o qual tem propriedades químicas completamente diferente dos três metais isolados que o compõem. É como se ele fosse um novo elemento químico.

O mesmo se dá quando marido e mulher se unem:

 

·         “Ele, porém, respondendo, disse-lhes: não tendes lido que aquele que os fez no princípio macho e fêmea os fez, e disse: Portanto, deixará o homem pai e mãe, e se unirá a sua mulher, e serão dois numa só carne? Assim não são mais dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem.” (Mt 19.4-6).

·         “Não sabeis vós que os vossos corpos são membros de Cristo? Tomarei, pois, os membros de Cristo, e fá-los-ei membros de uma meretriz? Não, por certo. Ou não sabeis que o que se ajunta com a meretriz, faz-se um corpo com ela? Porque serão, disse, dois numa só carne.” (1Co 6.15,16).

 

Repare como já não existe mais homem e mulher, mas apenas uma só carne, onde marido é cabeça e a mulher é corpo (Ef 5.23). Ou seja, o casal é uma nova criatura, o início de grande obra a ser realizada pelo Eterno.

Conforme já dito, o maior erro que os indivíduos podem cometer é o de querer fechar o lar em torno de si mesmo. Influenciados pelos filmes de romance onde o filme termina com o foco se fechando aos poucos, deixando visível apenas o herói beijando a mocinha e sendo felizes para sempre, a maioria acha que basta achar o cônjuge ideal e não precisará de mais ninguém para ser feliz.

Isto é um erro!

 

·         “Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos lugar.” (Jo 14.1,2).

 

Nós somos a casa do Pai, Seu templo (1Co 3.16; 6.19; 2Co 6.16). Dentro do nosso coração existem muitas moradas. Mesmo que achemos o cônjuge certo e tenhamos filhos, cada um deles irá ocupar um cômodo do coração. Mas existem mais cômodos a serem preenchidos.

Logo, se nos fecharmos para o próximo e tentarmos trancafiar o amor no recôndito do lar, este irá se tornar apático, lembrando o que acontece com a água quando fica parada: toda amarelada, cheia de bicho, fedendo.

Não é em vão que Jesus ordenou:

 

·         “Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo;” (Mt 28.19).

 

E não pense que isto foi instituído apenas após a morte de Cristo. Antes do pecado entrar no mundo, o Eterno já ordenara algo neste sentido:

 

·         “E Deus os abençoou, e Deus lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra.” (Gn 1.28).

 

Ou seja, uma das finalidades do casamento é servir como instrumento do Eterno para manifestar sua piedade por toda a terra, a fim de que Sua glória possa enchê-la por completo (Is 9.11; Hc 2.14). Em outras palavras, o marido, guiado pelo Espírito Santo (como todo filho do Eterno deve ser – Rm 8.14) deve sair pelo mundo afora com sua esposa e filhos pregando o evangelho a toda a criatura (Mc 16.15) (e não apenas às pessoas). Toda a criação aguarda com expectativa este momento (Rm 8.19-22).

Infelizmente, após casarem, na maioria das vezes, marido e mulher adulteram o verdadeiro propósito do Eterno para o casamento, passando a agirem independente um do outro. Quando solteiros, tudo que querem é estarem juntos um com o outro para viverem o amor 24 horas. Depois que casam, vai cada um trabalhar num canto e colocam os filhos na creche. Sufocam o amor com os cuidados da vida. No entanto, o lar é a segunda maior bênção para o ser humano aqui na terra (a primeira é o próprio Jesus):

 

·         “Goza a vida com a mulher que amas, todos os dias da tua vida vã, os quais Deus te deu debaixo do sol, todos os dias da tua vaidade; porque esta é a tua porção nesta vida, e no teu trabalho, que tu fizeste debaixo do sol.” (Ec 9.9).

 

Aliás, o lar é a segunda maior expressão de amor do Eterno neste mundo (a primeira é o sacrifício de Jesus na cruz). O lar é a verdadeira recompensa de tudo que fazemos, é a recompensa do Eterno para o homem que o teme (Sl 128.1-4).

No entanto, entenda: esta recompensa não é como um troféu que se recebe quando se vence uma competição. Na hora que o indivíduo o recebe, fica todo feliz e o coloca num lugar de destaque na sua casa. Mas, passado algum tempo, deixa-o lá encostado, empoeirando, ajuntando teia de aranha, etc. De vez em quando chega lá, limpa, dá um lustro e volta a ficar esquecido lá no canto.

Assim, quando o indivíduo casa, quer estar o tempo todo com o cônjuge. Depois de algum tempo, deixa-o de lado, passando a se envolver com diversões mundanas e trabalho. Só volta a lembrar dele no dia de aniversário ou no aniversário de casamento (e isto quando lembra).

Não! Casamento não se trata de uma recompensa morta, isolada, parada no tempo, mas a recompensa diária do Eterno. A esposa e os filhos são o verdadeiro alimento do Eterno para o marido em Cristo Jesus.

 

·         “A tua mulher será como a videira frutífera aos lados da tua casa; os teus filhos como plantas de oliveira à roda da tua mesa.” (Sl 128.3).

·         “Porque nós, sendo muitos, somos um só pão e um só corpo, porque todos participamos do mesmo pão.” (1Co 10.17).

 

No entanto, o que poucos sabem é que o vinho (ou suco de uva), quando fica parado, fermenta e vira vinagre, ou seja, azeda. Daí a instrução do Eterno para o homem:

 

·         “Seja bendito o teu manancial, e alegra-te com a mulher da tua mocidade, corça de amores e gazela graciosa. Saciem-te os seus seios em todo o tempo; e embriaga-te sempre com as suas carícias.” (Pv 5.18,19 – ARA 2).

 

Ou seja, o marido deve sugar todo o amor que a mulher tem para lhe oferecer, tal como a criança suga o leite da mãe. Quanto mais leite o bebê ingere, mais leite a mãe produz. De igual modo, quanto mais amor o homem suga da mulher, mais amor ela produz.

Isto pode ser visto de modo parabólico em:

 

·         “E ordenou o SENHOR Deus ao homem, dizendo: De toda a árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás.” (Gn 2.16,17)

 

Homem e mulher pecaram porque não comeram livremente de todas as árvores do jardim. Se eles tivessem feito isto, não teriam tido vontade de se alimentarem do fruto proibido (cuja utilidade seria revelada pelo Eterno depois, caso o homem não tivesse pecado).

De igual modo, se o marido receber da mulher tudo que ela tem para oferecer, ele não será seduzido por outras mulheres; nem ela verá a necessidade de seduzir outros homens.

Além disto, para que você acha que serve a relação sexual? Infelizmente muitos têm suas orações bloqueadas por não estarem coabitando com suas esposas com entendimento:

 

·         “Igualmente vós, maridos, coabitai com elas com entendimento, dando honra à mulher, como vaso mais fraco; como sendo vós os seus co-herdeiros da graça da vida; para que não sejam impedidas as vossas orações.” (1Pe 3.7).

 

Note que não é para coabitar apenas para satisfazer o apetite sexual, levado pelas emoções. Há algo para ser conhecido por meio da relação sexual.

Quando o Eterno une homem e mulher, o faz com base no plano original Dele para ambos. No entanto, pecado acabou com a unidade que havia dentro do ser humano (Hb 4.12), visto que sua alma sofreu uma mutação genética, dando origem a um ego corrompido.

Muitos casamentos fracassam porque marido e mulher tentam se relacionar um com o outro com base em suas almas corrompidas. Ora, este ego corrompido tem que morrer (2Co 4.16). Ele não é para ser vitorioso. É inútil tentar agradá-lo. Só irá gerar frustração.

Sendo assim, considerando que alma corrompida é a que, na maioria das vezes, se manifesta, urge buscar conhecer o verdadeiro eu do cônjuge.

Assim, quando o homem se relaciona com a mulher, ele deve buscar conhecer quem realmente é sua esposa. Na hora da relação, deve olhar lá no fundo do olho da esposa buscando encontrá-la lá no âmago do seu espírito. Ao assim fazer, dois são os benefícios: primeiro, o homem também descobre algo mais a respeito do Eterno. Afinal:

 

·         “Mas o que se ajunta com o Senhor é um mesmo espírito.” (1Co 6.17).

 

Além disso, o marido também fica tendo uma ideia de quem ele realmente é. Se você acha isto estranho, veja o que diz a Escritura Sagrada:

 

·         “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá?” (Jr 17.9).

 

Nem mesmo nós sabemos como nós somos conhecidos diante do Eterno:

 

·         “Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido.” (1Co 13.12).

 

No entanto, no que o homem conhece sua auxiliadora, ele automaticamente está conhecendo um pouco de si. Para exemplificar: se o Eterno dá a alguém um servente de pedreiro como ajudante, é um forte indício para o indivíduo de que sua vocação tem haver com o ramo da construção civil. Não dá para saber se o Eterno o levantou como pedreiro, mestre de obras, engenheiro civil, etc. Mas pelo menos já se conhece seu ramo de atuação.

Você pode se perguntar: mas não seria melhor se ele soubesse com precisão quem é? É aí que entra a mulher. Se ela fizer o mesmo com seu marido, ela irá revelar-lhe quem ele realmente é, o que o permitirá ser exatamente quem o Eterno deseja que Ele seja, ao invés de ficar tentando comprar seu papel na sociedade e buscando promoções que nada têm haver consigo.

Entenda: promoção é algo intrínseco à Babilônia. A princípio parece normal. Contudo, pense: você já viu um pé de jurubeba, por exemplo, sendo promovido e virando um pé de amora ou uma amoreira sendo promovida a pé de melão, e assim por diante?

Não! Cada um tem sua vocação definida. O que existe no reino do Eterno é crescimento, não promoção. O que existe é desenvolvimento, e não aprendizado.

Você pode questionar: qual a diferença?

Crescimento é o que se deu, por exemplo, com José do Egito e Davi:

·        José começou administrando as ovelhas do pai junto com os irmãos (Gn 37.2), depois foi administrar a casa de Potifar (Gn 39.3-6), em seguida foi administrar uma prisão (Gn 9.22,23) e, por fim um império inteiro (Gn 41.39,40);

·        Davi começou administrando as ovelhas de seu pai (1Sm 16.11), passou a administrar uma gangue de quatrocentos homens (1Sm 22.2), depois administrou uma gangue de seiscentos homens (1Sm 23.13), mais adiante se tornou administrador de todo Judá (2Sm 2.4) e, finalmente, de todo o Israel (2Sm 5.3).

 

Note que tanto José do Egito quanto Davi sempre foram administradores. O que mudou é a quantidade de indivíduos a serem administrados. Ou seja, o que houve foi um crescimento. A função, no entanto sempre foi a mesma.

Note como tanto Davi quanto José não tiveram que ir a uma escola para aprenderem a ser administradores. Tal conhecimento não precisou ser enxertados neles. Tal como se dá com uma árvore, eles já nasceram com este talento dentro de si (como se deu com Ha-Satan quando foi criado como querubim - Ez 28.13). Tudo que precisou foi se envolver pessoalmente (colocando seu coração nisto – ver Pv 27.23) com cada tarefa e receber o alimento necessário para que tudo isto pudesse brotar do seu interior.

Veja aqui a importância do casamento. Afinal, é por meio dele que o indivíduo vai conhecer a si, ao Eterno e ao próximo (começando pelos mais próximos: cônjuge e filhos).

Você pode se perguntar: qual a importância disso? Em primeiro lugar, teve indivíduos que levaram uma surra de demônios por não conhecerem quem eram (At 19.13-16). Além disso, quantos se relacionam de modo errado com o cônjuge, estragando-o:

 

·         “Por isso Deus os abandonou às paixões infames. Porque até as suas mulheres mudaram o uso natural, no contrário à natureza. E, semelhantemente, também os homens, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para com os outros, homens com homens, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a recompensa que convinha ao seu erro.” (Rm 1.26,27).

 

Note que, no que a mulher deixou de se relacionar com o homem do modo correto (relação vaginal), muitos dos homens não viram mais diferença entre se relacionar com mulher ou com homem e se inclinaram para o homossexualismo.

Além disso, a Escritura Sagrada e clara: quem pratica o sodomismo (sexo anal) não herdará o Reino dos Céus:

 

·         “Não sabeis que os injustos não hão de herdar o reino de Deus? Não erreis: nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os maldizentes, nem os roubadores herdarão o reino de Deus.” (1Co 6.9,10).

 

Sem contar que, em diversas ocasiões (por exemplo, Zc 13.2; Gl 5.19; Ef 4.19; 5.3; Cl 3.5 – e note que a maioria destas passagens estão relacionadas com o sexo), vemos o Eterno abominando a impureza (o que inclui o sexo oral, anal e até mesmo o beijo na boca. Afinal, pense: você teria coragem beber uma xícara contendo a saliva de alguém? Não é algo nojento? Somado ao sexo oral e anal, o casal acaba ingerindo as fezes e a urina um do outro).

Por isto é que, muitas vezes, os casamentos dão errado e os casais ficam por entender o motivo disso. Ora, se eles estão coabitando fora do entendimento do Eterno (que olha bem além de nós – Is 55.8,9), como podem esperar que Ele os ouça (1Pe 3.7)? Como o Eterno vai abençoar algo que vai contra a Sua Palavra (e, obviamente, contra tudo que Ele é, já que Ele é um com a Palavra – Jo 1.1)? Ele teria que aprovar o mal, adulterar o propósito do casamento.

Considere que o casamento serve também para Jesus mostrar, através do homem, como Ele ama sua Igreja, bem como o quão prazeroso e belo é quando a Igreja se submete a Cristo.

Não só isso! É por meio do casamento que o Eterno começa a trabalhar Sua salvação. Como assim?

Pense: como é que se processa a salvação do Eterno? Não é na medida que concordamos em nos humilharmos até morrermos para nós mesmos (Rm 6.1-4), a fim de que Jesus possa se manifestar em nossa carne mortal?

Pois bem: quando o homem, por exemplo, casou, ele já teve que renunciar todo seu corpo a fim de que pudesse ser cabeça da mulher. Quando um filho é gerado, ele tem que renunciar mais um pouco de si (por exemplo, o olho direito). Quando outro filho é gerado, mais outra renúncia (por exemplo, o olho esquerdo). Se ele continuar gerando filhos (seja naturais ou na fé, amando o próximo como a si mesmo (Mt 22.39)), chegará num ponto este homem não será mais visto, pois ele será constituído de cada um dos indivíduos que o Eterno colocou em sua vida.

Daí ser dito que o Eterno trabalha a salvação na mulher através de sua missão de mãe:

 

·         “E Adão não foi enganado, mas a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão. Salvar-se-á, porém, dando à luz filhos, se permanecer com modéstia na fé, no amor e na santificação.” (1Tm 2.14,15).

 

E se o marido der toda sua vida à esposa (como ordena Ef 5.25-27), a fim de que ela possa cumprir adequadamente sua missão de mãe, ele também será salvo. Lembre-se do que Jesus disse:

 

·         “O meu mandamento é este: Que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei. Ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a sua vida pelos seus amigos.” (Jo 15.12,13).

 

E como foi que Jesus nos amou? Não foi dando sua vida? Um vaso contém aquilo que nele é colocado. Se o homem enche a mulher da sua vida, é isto que ela irá passar para seus filhos, já que é isto que foi entesourado no seu coração (Mt 12.34,35).

Aliás, esta é a melhor forma do homem evitar que a mulher o traia. Pense: se o homem encheu sua esposa de quem ele é, além de ela não conseguir mais se identificar com nenhum outro homem, ela não será agradável aos olhos de mais ninguém. Afinal, que homem vai querer casar com outro homem?

Isto condiz com 1Co 11.7, onde diz que a mulher é a glória do homem. Somando ao fato de que o homem é cabeça da mulher (Ef 5.23), não sobrou mais nada para se ver na mulher.

Pense: a única parte do corpo que se pode ver na vida de uma mulher virtuosa é o rosto. Como ela está vestida com aquilo que o marido é, sendo ele o seu rosto, logo ela não é outra coisa senão uma revelação daquilo que Jesus é na vida do seu marido.

Em outras palavras, a mulher deve aceitar receber dentro de si tudo que o marido é, toda vida que seu marido tem para lhe dar (Ef 5.25-27). Se ela proceder deste modo, ela conterá dentro de si o que há de mais valioso na vida do marido, a saber: sua vida em Cristo. E considerando que onde está nosso tesouro ali está também o nosso coração (Mt 6.21), logo o coração do homem estará com a mulher, de modo que ele não conseguirá adulterar. Afinal, isto significaria perder a si próprio, perder a própria alma.

Por fim, é bom lembrar que devemos oferecer nossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável ao Eterno (Rm 12.1; Ef 5.1,2; 1Pe 2.21). Ou seja, o indivíduo deve se sacrificar em prol do cônjuge e dos seus filhos (físicos e espirituais), de modo que todos possam ter, nele, o lugar onde poderão ser trabalhados pelo lavar da regeneração e renovação do Espírito Santo (Tt 3.4-6).

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